São paulo, 11 (AE) - Contratar jogador estrangeiro ou mesmo mantê-los no País começa a se tornar um negócio inviável no futebol brasileiro. A crise econômica, que fez o real despencar em relação ao dólar, e a fórmula de disputa das eliminatórias sul-americanas, no sistema todos contra todos, transformaram as importações em assunto proibitivo.
O torneio eliminatório do continente, desta vez, será o maior da história: deve durar nada menos do que 21 meses, de março de 2000 a novembro de 2001. Serão 18 rodadas, o que significa que os clubes devem ceder os seus estrangeiros por 18 vezes neste período. "Esse sistema é prejudicial ao clube, que perde o jogador, mas também é prejudicial à seleção, que recebe sempre um grupo desnivelado, e ao jogador, que nunca consegue entrar em forma, analisa o zagueiro paraguaio Gamarra, do Corinthians, que já viveu a experiência em 1997.
"Os jogadores serão muito solicitados e haverá um grande desgaste físico e mental, prevê Paulo Angioni, diretor de Esportes da Parmalat, patrocinadora do Palmeiras, que detém os passes dos paraguaios Arce e Rivarola.
Para Luiz Henrique de Menezes, do Corinthians, as eliminatórias inchadas são mesmo o "grande inconveniente para a presença dos estrangeiros no País. "Você não pode pagar caro por um jogador tendo o risco de perdê-lo numa decisão de campeonato para a seleção, afirmou. Menezes entende que os clubes devem colocar nos contratos dos atletas cláusulas que os protejam nessa situação.
Além do problema das eliminatórias, os estrangeiros encareceram muito, já que têm os passes avaliados em dólares e também recebem salários baseados na moeda norte-americana. "O problema cambial impossibilitou qualquer importação, afirma Paulo Angioni.
O São Paulo praticamente fechou o mercado de contratações de estrangeiros ao trazer o equatoriano Carabali, mas passou sufoco para fechar o negócio. Depois de aceitar pagar US$ 150 mil pelo empréstimo do atleta ao Barcelona de Guayaquil, a diretoria do clube precisou convencê-lo a receber os salários em reais. "Nós só contratamos o Carabali porque o nosso técnico disse que ele era estritamente necessário; trazer estrangeiros hoje não vale mais a pena, disse o diretor Pérsio Rainho, sem mencionar o antigo interesse do clube pelo zagueiro paraguaio Ayala.
Enquanto os clubes brasileiros reclamam, os europeus agem. Na terça-feira, o G-14, entidade que reúne os 14 principais times do continente, todos repletos de estrangeiros, decidiu numa reunião cobrar da Fifa uma espécie de indenização pela cessão dos atletas às seleções. Caso não consigam, prometem continuar dificultando a liberação dos estrangeiros. Problemas à vista para Wanderley Luxemburgo, técnico da seleção brasileira.

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