Arquivo FolhaVolta por cimaDepois do fracasso na Olimpíada de 96, em Atlanta, Rivaldo retorna à seleção
na partida de hoje contra o Equador. O meia vive excelente fase na EspanhaExcesso de bons armadores canhotos - Denílson, Rivaldo, Rodrigo, Zinho, Leonardo, Djalminha e Zé Roberto - e escassez de destros - Juninho e Giovanni. Esse desequilíbrio atormenta o técnico Zagallo não só para o amistoso de hoje, a partir das 21h30, contra o Equador, em Salvador (BA), como para a Copa-98. Contra os equatorianos, os dois meias serão Denílson, pela esquerda, e Rivaldo, pela direita.
No Mundial do ano que vem, devem ser Denílson e Leonardo. ‘‘Só é assim porque hoje não tenho destros para desempenhar a função. Sou canhoto e sei da dificuldade de se jogar pela direita. Quando jogava, a tendência era ir sempre para o meio e não ocupar a faixa da direita’’, disse Zagallo.
O treinador quer dois meias que organizem as jogadas e, ao mesmo tempo, façam a marcação. Entre os destros, apenas Juninho e, mais remotamente, Giovanni podem ter chance. Marcelinho, do Valencia (Espanha), segundo Zagallo, não se encaixa no perfil. ‘‘Não acho nada demais ter dois ou três canhotos num time de 11. Sei que vou me dar bem com Denílson. Joguei com os canhotos Djalminha e Zinho no Palmeiras, e tivemos sucesso’’, disse Rivaldo, que ao lado de Anderson, chegou a Salvador (BA), num jatinho particular fretado pelo Barcelona, da Espanha. Os dois jogadores são as principais atrações da seleção brasileira, ao lado de Denílson, do São Paulo.
Rivaldo volta à seleção, pela primeira vez, desde a Olimpíada de Atlanta. Criticado por seu desempenho na competição, o jogador disse que está mais maduro e experiente: ‘‘Sei que não fui bem na Olimpíada, mas não preciso provar nada a ninguém’’.
Contra um adversário que nunca venceu o Brasil, empatou duas vezes e perdeu 15, Zagallo vai aproveitar para testar jogadores. Émerson, considerado o reserva ideal de Flávio Conceição, será o principal deles. Ânderson, que volta a jogar uma partida no Brasil após cinco anos de Europa, tem a difícil missão de superar Romário na cotação de Zagallo.
O Equador, sexto colocado nas eliminatórias sul-americanas para a Copa de 98, veio sem suas principais estrelas. O técnico colombiano Francisco Maturana não poderá contar com Aguinaga, Capurro, Noriega, Ivan e Hector Hurtado. Mesmo assim, garante que trouxe o que há de melhor internamente no futebol equatoriano. ‘‘Jogar com o Brasil é um acontecimento especial que merece traje de gala’’, destacou.

FICHA TÉCNICA


Brasil
Carlos Germano; Cafu, Júnior Baiano, Gonçalves e Zé Roberto; Mauro Silva, Émerson, Rivaldo e Denílson; Ânderson e Dodô. Técnico: Zagallo

mockup