Brasil faz sua melhor Paraolimpíada
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quarta-feira, 22 de setembro de 2004
Das Agências 
Atenas - A delegação brasileira conquistou ontem duas medalhas de ouro nos Jogos Paraolímpicos de Atenas uma no atletismo e outro na natação e atingiu o melhor desempenho de sua história. Agora o Brasil tem oito medalhas de ouro e supera o desempenho de 1984, nos Estados Unidos, quando o País conquistou sete ouros.
O primeiro ouro do dia veio com o meio-fundista Antônio Delfino. Ele foi o mais rápido na prova de 400 metros rasos categoria T-46 (amputados de uma mão). Além da vitória, ele bateu o recorde mundial da prova com o tempo de 48s47. O australiano Heath Francis foi prata com o tempo de 48s72 e o chinês Faqi Wu ficou com o bronze ao fazer 49s53.
Na segunda-feira, Delfino havia conquistado ouro nos 200 metros pela mesma categoria.
A prova dos 400 metros foi, até agora, a mais sensacional dos Jogos Paraolímpicos de Atenas. Favorito para o ouro, Delfino largou mal e permitiu que Heath Francis abrisse vantagem e cruzasse a marca dos 200 metros ligeiramente à frente.
Quando o grupo alcançou os 50 metros finais da prova, no entanto, Delfino mostrou a sua força, arrancou e superou o australiano na reta de chegada. ''Foi duro, mas eu cheguei lá. Sabia que tinha forças para reagir, guardei tudo para os 50 metros finais e deu certo. Agora, eles que corram atrás do meu recorde'', afirmou o brasileiro.
Delfino treina em Brasília em condições muito precárias. Ele, que perdeu a mão direita cortando cana no Piauí, tem uma pista de terra à disposição. Sobre as dificuldades enfrentadas na prova de ontem, a explicação foi simples. ''Jantei mal ontem, foi isso. Já expliquei para o meu técnico'', contou.
O segundo ouro foi com o nadador Clodoaldo da Silva, na prova de 50 metros borboleta Classe S-4. Clodoaldo que sofreu paralisia cerebral e teve os movimentos nas pernas comprometidos fez a distância em 45s12 e estabeleceu o recorde mundial, superando a marca anterior do tailandês Somchai Doungkaew (45s59). Esta foi a terceira medalha de outro de Clodoaldo. Ele já havia vencido nos 100 m livre e de 200 m livre.
''Não é uma prova em que sou especialista, mas o adversário deu uma colher de chá e eu aproveitei'', afirmou ele. ''Meu objetivo era tentar entrar na final. Se conseguisse, sabia que poderia brigar por medalha.''
Clodoaldo contou que começou a nadar os 50 m borboleta por ''brincadeira''. Um amigo disse que era uma prova que precisava de força, e isso ele tinha. ''Eu experimentei, gostei e comecei a competir no meio do ano passado'', disse o campeão.
Ele ainda nada mais quatro vezes em Atenas, incluindo os 50 m livre, prova na qual também é recordista mundial. Clodoaldo foi medalhista em Sydney-2000 (três pratas e um bronze) e registrou grande melhora por causa do aumento da carga de treinamento. Até 2000, ele nadava cerca de 3.500 m diários. Atualmente, chega a percorrer 8.000 m, fora musculação.


