Brasil estréia fora contra a Colômbia
Reunião da Conmebol define primeiro adversário brasileiro; entidade autoriza jogos apenas no Rio de Janeiro e São Paulo
Agências Estado e Folha
De São Paulo
Fazer a estréia fora de casa diante da sempre difícil Colômbia, enfrentar a Bolívia na altitude de La Paz... Nada aborrece o técnico da Seleção Brasileira, Wanderley Luxemburgo (foto), que, a partir de março do ano 2000, começa a disputa das Eliminatórias para a Copa de 2002, no Japão e na Coréia do Sul. A tabela me agradou, disse ontem o treinador. Vamos participar de uma competição em que todas as seleções vão se enfrentar em turno e returno. Os jogos foram determinados por sorteio, com algumas regras, como alternar jogos em casa e fora.
Para Luxemburgo, tanto faz enfrentar a Colômbia na estréia ou na última rodada. Seria um jogo difícil de qualquer forma, a exemplo dos outros confrontos, explicou. O treinador acrescentou que não há muito o que escolher nesta competição.
Na quarta-feira, Luxemburgo esteve em Assunção, na sede da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol). Ele acompanhou o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, em um reunião que teve a presença de representantes dos dez países e demorou cerca de seis horas.
Luxemburgo declarou que a idéia da CBF era jogar em várias cidades brasileiras onde o futebol é uma paixão, uma oportunidade para diferentes torcedores darem seu apoio à seleção. Há uma semana, a CBF anunciara com certa festa um rodízio entre várias cidades. O Comitê Executivo da Conmebol decidiu, porém, que cada país jogará em apenas uma sede, com exceção do Brasil por causa da grande dimensão territorial. A seleção jogará apenas no Rio (Maracanã) e São Paulo (Morumbi).
Rio e São Paulo são os maiores centros de futebol do País e não há nenhum problema em atuar apenas nas duas cidades, disse Luxemburgo. Queríamos realmente levar os jogos para outros locais, mas foi uma decisão do Comitê Executivo da Sul-Americana e não podemos fazer nada. Ele contou que, anteriormente, já havia pedido ao presidente da CBF para enfrentar a Argentina e a Colômbia no Morumbi.
A CBF deverá tentar reverter a postura da Conmebol no início de dezembro, quando a Fifa irá homologar a decisão tomada pela entidade sul-americana. A decisão tomada pela Conmebol deverá criar problemas políticos para Ricardo Teixeira. Um dos argumentos usados pelo dirigente para garantir a sua reeleição, no início de julho, foi prometer a organização de jogos da seleção nas eliminatórias para as principais federações estaduais.
O colégio eleitoral que escolhe o presidente da CBF é composto pelos presidente das 27 federações e os 22 clubes da primeira divisão. Carlos Alberto de Oliveira, presidente da Federação Pernambucana de Futebol, ficou muito irritado quando soube que Recife havia perdido o direito de receber um jogo da seleção nas eliminatórias. Inicialmente, a CBF havia programado para a capital de Pernambuco o jogo contra a Bolívia. O governo estadual já havia se comprometido a liberar R$ 1 milhão para a organização da partida, afirmou Oliveira.
Além da questão política, a concentração das partidas no Rio de Janeiro e São Paulo pode causar prejuízos financeiros. A CBF avalia que os jogos contra as seleções de menor expressão não deverão atrair muita atenção do público carioca e paulista. Tradicionalmente, os maiores públicos pagantes nos amistosos da Seleção Brasileira são fora do eixo Rio-SP.





