São Paulo - Os atletas brasileiros em Santo Domingo vão bem, disputam o terceiro lugar com o Canadá e se aproximam de bater o recorde de medalhas do País em Pan-Americanos, mas, ao contrário dos cartolas, não se iludem com isso. Após a chuva de pódios em Winnipeg e o resultado ruim em Sydney, uma medalha no Caribe é celebrada, mas com ressalvas.
''Achei a prova fraca. Com esse tempo, não vou chegar a lugar nenhum'', disse Hudson de Souza após ganhar a medalha de ouro nos 5.000 m no atletismo. Hudson, um meio-fundista improvisado em uma competição de fundo, é a imagem do baixo nível das provas do Pan, opinião não compartilhada pelo presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman. ''É prematuro fazer qualquer avaliação, mas o nível do Pan é alto. México, Venezuela e Argentina cresceram. E o Canadá é fortíssimo'', disse ele.
A realidade, porém, depõe contra o dirigente. Após o fim das provas do atletismo, houve oito quebras de marcas do Pan em 46 provas. Mas nenhuma delas em competições nobres. Para ter uma idéia, João do Pulo, morto em 99, é absoluto no salto triplo. Seus 17,89 m obtidos há 28 anos não foram superados por Yoandry Betanzo, que saltou 63 centímetros a menos para garantir o ouro.
A ginástica artística, que levou dez medalhas, enfrentou rivais enfraquecidos. Os EUA enviaram uma equipe B para preservar seus principais atletas para o Mundial.
''Em termos de mídia, o Pan é mais importante. Mas o que vai dar vaga na Olimpíada é o Mundial'', diz Daniele Hypólito, que desistiu da prova de solo do Pan.
O basquete masculino levou o bi após bater times debilitados. ''Os EUA não vieram com uma equipe forte, e a República Dominicana não foi um grande adversário na final. O Pan serviu como empurrão. Nosso objetivo é o Pré-Olímpico'', afirma o técnico Lula.
O remo disputou boa parte das regatas contra o número mínimo de barcos. No oito com, o país foi inscrito de última hora para haver cinco embarcações na disputa.
A mesma situação foi vivida nos saltos ornamentais, com as brasileiras disputando a plataforma sincronizada só para a prova acontecer ficaram em último.
Até Cuba, que dá valor ao Pan, abriu mão de alguns esportes. A festa de ontem, pelo triunfo do handebol masculino, poderia não ter acontecido se os tricampeões dos Jogos tivessem viajado. ''Normalmente, Cuba é favorita. Mas eles não vieram. Isso abriu caminho para a conquista do Brasil'', festejou o técnico Alberto Rigolo.
Apesar da moderação sobre a importância do Pan, o Brasil caminha para superar a performance de Winnipeg-99. Ontem, com o handebol, o país chegou ao 17º ouro. Faltam apenas nove para que o país passe o Pan anterior. Até o final da tarde de ontem, o país somava 66 medalhas, 35 a menos do que no Canadá, diferença, pelo que ainda vai acontecer, que deve se evaporar.
Só em esportes coletivos o Brasil está em cinco finais ou semifinais futebol e vôlei com os dois sexos e handebol feminino. A natação, que em Winnipeg deu sete ouros ao país, tinha programada para ontem o início de suas finais.

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