Brasil está otimista. Mas vai ser difícil
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quinta-feira, 06 de março de 1997
Agências 
France PresseNa expectativaA comitiva brasileira ontem, toda sorridente antes do período de explanações das cidades candidatasOs integrantes da comitiva brasileira, comandadas pelo presidente da Fifa, João Havelange, deixaram bastante otimista o salão em que fizeram ontem a exposição da candidatura do Rio para a sede da Olimpíadas de 2004 na sede do Comitê Olímpico Internacional (COI), na cidade suíça de Lausanne.
O presidente da comitiva, Ronaldo Cezar Coelho, garantiu não ter a menor dúvida de que o Rio será anunciado hoje, no Museu Olímpico, como uma das quatro cidades finalistas. As Tvs Globo e Bandeirantes devem transmitir ao vivo o anúncio, previsto para as 9 horas de Brasília.
Acho que mostramos todos os motivos para sermos a cidade sede da Olimpíada. Além dos aplausos dos integrantes da comissão, Coelho ficou particularmente confiante porque nenhuma pergunta foi feita durante a exposição.
Após a apresentação e ainda no salão de exposição, o presidente da Rio 2004 conversou separadamente com o queniano Kipjoge Keino, um dos membros da comissão do COI (e que pediu autógrafo e quis tirar foto ao lado do Pelé), lembrando de uma parte esquecida em seu discurso, feito de improviso.
PeléLembrei que o Brasil é uma nação de muitos negros, uma das maiores da terra, comentou. Pelé, a grande estrela da comitiva, também mostrou-se otimista, colocando o Rio ao lado de favoritas como Roma e Atenas.
Tenho certa experiência em situações como esta e vi que os membros do COI ficaram satisfeitos com nossa exposição, explicou o ministro extraordinários de Esportes. Fiz questão de mostrar a importância do esporte para os jovens brasileiros e o impulso que a Olimpíada daria ao Brasil.
O representante oficial do governo federal, lembrou aos delegados do Comitê Olímpico Internacional (COI) seu trabalho como atleta e ex-atleta. Como vocês sabem, fui aos Estados Unidos incentivar o futebol. Poderia ter ido para a Itália ou para Espanha e ganhar mais dinheiro, mas preferi ir a um lugar em que o esporte tivesse apenas começando escreveu, em inglês, em seu discurso. Que diferença faz ter uma Olimpíada em Estocolmo? E em Roma? Vai mudar um povo, uma cultura? No Rio é diferente. É a chance de mudar uma nação, afirmou mais tarde.
Da sede do COI até o museu olímpico, Pelé distribuiu mais de 40 autógrafos. A um brasileiro que disse morar há seis meses na Suíça o ministro pediu-lhe que voltasse para casa. Nem mesmo a presença de dois grandes esportistas conseguiu tirar o monopólio de Pelé sobre a mídia internacional. A francesa Marie-José Perec, ouro nos 200 e 400 metros rasos em Atlanta-96, e que apóia Lille na corrida olímpica, atraiu alguns flashes, enquanto Pelé se reunia com o COI. Quando saiu, fez a corredora ficar desprezada. Ao espanhol Miguel Induráin, o maior ídolo do ciclismo mundial, que chegava no mesmo instante, os jornalistas pediram licença para acompanhar a saída de Pelé.


