Brasil está a procura de um homem-gol
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quinta-feira, 12 de julho de 2001
Agência Estado De Cáli 
O futebol brasileiro continua em busca do gol. Desde que Ronaldo teve problemas médicos horas antes da final da Copa do Mundo de 1998, a seleção brasileira procura um goleador. A falta de um jogador com essas características - ou, talvez mais importante, de alguém que arme as jogadas para a conclusão do artilheiro - é apontada por especialistas como uma das principais, senão a principal deficiência da seleção no campo técnico.
A cada nova contusão de Romário - a última aconteceu na última terça-feira num amistoso do Vasco contra o Tigres, do México - cresce a dúvida sobre sua presença na Copa. Está provado que Romário não tem mais condições físicas, afirma o comentarista e ex-jogador Neto.
Na opinião do ex-meia do Corinthians e da seleção, o problema do Brasil não é exatamente a falta de artilheiros, mas de jogadores que preparem as jogadas para a conclusão. Goleadores existem. O problema é que desde que o Zico parou de jogar o Brasil não teve um autêntico camisa 10. E nesse meio eu me incluo, confessa. Não há razão para ficar insistindo com o Rivaldo. Ele amarela na seleção.
Em 13 jogos das eliminatórias, os técnicos Wanderley Luxemburgo, Leão e, agora, Luiz Felipe Scolari testaram Jardel, Edílson, Élber, Ronaldinho Gaúcho, Amoroso, França, Sávio, Guilherme, Djalminha, Marques, Luizão, Euller, Edmundo, Adriano, Romário, Washington e Ewerthon. Contribui para agravar o quadro um pouco de falta de sorte. O centroavante Luizão, do Corinthians, machucou o joelho quando era considerado a bola da vez no ataque.
Na gestão de Scolari, Élber, do Bayern de Munique, passou a ser uma das principais apostas. O clube, porém, vetou a ida do jogador à Colômbia. A posição do clube acabou servindo como desculpa para que ele não fizesse como Mauro Silva, que abandonou a delegação. Embora tenha dito que gostaria de disputar o torneio, o jogador estava com medo de ir à Colômbia. Confessou isso em entrevista à Agência Estado, poucos dias antes da confirmação de que a Copa América seria realizada. O próprio Scolari, em conversa reservada com um amigo em Montevidéu, disse que a ida à Colômbia era uma temeridade. Depois, diante dos jogadores, mudou o discurso.
Essa ausência pode prejudicar o futuro do atacante na seleção. Sem ele, jogadores como Geovanni, Ewerthon e Jardel terão oportunidade de firmar-se. Seu espaço ficará ainda mais reduzido se Ronaldo se recuperar bem fisicamente e se Romário, ainda o principal atacante do país, tiver o perdão de Scolari e condições físicas para retornar à equipe. O treinador ficou irritado com a viagem do jogador ao México, pelo Vasco. Scolari o havia liberado para que se submetesse a uma cirurgia no olho.


