São Paulo - Derrotas no meio de competições importantes que empurram o time para o título têm sido constantes na trajetória da seleção masculina de vôlei. No Mundial do Japão, a equipe já tropeçou. E não pode mais se mostrar vulnerável. O problema é que, na próxima fase, o time irá encarar seus principais algozes nos últimos anos - EUA e Bulgária.
São equipes que já derrotaram a seleção de Bernardinho em grandes campeonatos. Diferentemente de outros encontros, porém, um novo tropeço pode significar o encerramento da luta pelo bicampeonato.
Ontem, o Brasil venceu a Alemanha por 3 sets a 0 e avançou como líder de sua chave. Um de seus rivais será a Bulgária. Únicos invictos no grupo, os búlgaros deram fim a uma invencibilidade de mais de um ano da equipe de Bernardinho em agosto: cravaram 3 a 0 na Liga Mundial. A seleção não perdia por esse placar desde junho do ano passado.
Os EUA também se notabilizaram por vencer os brasileiros em torneios importantes. Isso ocorreu nas fases iniciais do Mundial-2002, em Buenos Aires, e da Olimpíada-2004, em Atenas. Nos dois casos, os brasileiros contornaram a crise e levantaram o troféu. ''É assim que temos de jogar no resto do campeonato (como hoje). Os jogadores estavam com raiva na quadra. Temos jogado nos últimos seis anos dessa forma. Vamos enfrentar grandes equipes na busca pelas semifinais. Agora temos que continuar crescendo na segunda fase e não podemos perder'', afirmou Bernardinho.
Os sustos dos últimos anos mostram que o treinador tem razão em pedir cautela, apesar da excelente atuação. Os EUA já deram uma dessas lições. Na final da Copa América de 2005, em São Leopoldo (RS), a seleção perdeu o título de um torneio considerado fácil. Mais: manteve o tabu de não ser campeã diante de sua torcida.
Bernardinho, entretanto, acredita que a apresentação do time contra os alemães marcou de fato o início de uma reação. Depois de perder da França, os jogadores ficaram abatidos. Não haviam ficado satisfeitos nem com a vitoria sobre a Austrália, que veio em seguida. ''A seleção realmente jogou o que esperamos de nós mesmos. Ganhamos muito moral para seguir para a fase mais difícil. Nosso time cresce muito em jogos importantes'', afirmou o meio-de-rede Gustavo sobre os 25/13, 25/21 e 25/22 de ontem.
O placar do primeiro set foi o mais dilatado dos brasileiros no Mundial. Também foi a derrota mais impactante sofrida pela Alemanha, até então a única invicta do Grupo B. ''No primeiro set, jogamos como Brasil. Precisávamos vencer para só depender de nós mesmos'', disse Bernardinho.
A seleção, que vislumbra crescer ainda mais durante o campeonato, começa a buscar suas quatro vitórias contra os EUA, no sábado. Depois, encara República Tcheca, Itália e Bulgária em uma lista, teoricamente, crescente em dificuldade.
No quarto - Sem tempo para trabalhar na quadra, Bernardinho encontrou uma forma inusitada de treinar a seleção. Por causa do horário dos jogos (3 horas de Brasília), a seleção tem feito menos trabalhos com bola do que o necessário. O técnico, então, pediu para que seus jogadores, quando estivessem sozinhos nos quartos, pensassem sobre os gestos que fazem na quadra. E, mentalmente, corrigissem seus erros.
A tática, segundo ele, deu certo. Prova disso foi o aproveitamento do saque brasileiro, muito abaixo do normal nos jogos anteriores. O Brasil marcou ontem contra a Alemanha seis pontos de saque, contra apenas um do adversário.

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