Tóquio, 30 (AE) - Depois de ser surprendida e perder por 1 a 0 para a Coréia do Sul, no último domingo, a seleção brasileira do técnico Wanderley Luxemburgo, volta a campo nesta quarta-feira de manhã, contra o Japão, com a obrigação de vencer. Uma vitória pode não mudar em nada os rumos da seleção em relação à Copa América ou mesmo na preparação da equipe olímpica, mas uma nova derrota pode comprometer o futuro do técnico. Para evitar nova surpresa, Luxemburgo muda o time e três jogadores perderam o lugar. O lateral Serginho, do São Paulo, sai e abre vaga para Felipe, do Vasco. O meia Zé Roberto (Bayer Leverkusen) dá lugar a Emerson (também do Bayer) e Jardel (Porto) vai para a reserva, abrindo espaço para Fábio Junior (Roma). A partida, que terá a transmissão da Rede Globo, a partir das 7h00 (horário de Brasília), deverá ter público de 50 mil torcedores.

As mudanças feitas na seleção brasileira não tiveram o objetivo de "queimar" nenhum jogador. A garantia foi dada hoje
em Tóquio, por Luxemburgo. A escalação dos jogadores foi decidida no treino que a seleção fez no Estádio Nacional de Tóquio - mesmo local da partida de amanhã -, debaixo de uma chuva fina e frio de aproximadamente 5º. Com duração de pouco mais de uma hora, o treino leve serviu, principalmente, para a prática de jogadas de ataque pelas laterais e cobranças de escanteios.
Segundo o treinador brasileiro, a troca de jogadores faz parte de um processo mais amplo de preparação da equipe para a Copa América, em junho. Luxemburgo também disse ser importante "não perder de vista" o trabalho de longo prazo para o Torneio Pré-Olímpico, no qual o Brasil vai disputar vaga para os Jogos de Sydney, na Austrália, em 2000.

Ainda analisando a derrota de domingo para a Coréia do Sul, em Seul, na primeira das duas partidas amistosas na ásia, o técnico disse que os "percalços de meio de caminho" fazem parte de seu trabalho. "Se não quisesse perder nesta excursão, não teria trazido o grupo que trouxe", avisou, ao garantir que, do contrário, "traria gente com bagagem de Copa do Mundo para ter resultados".
A afirmação foi uma referência direta à possibilidade de convocar Romário para a disputa da Copa América - um jogador que
segundo Luxemburgo, "não precisa de testes ou observação". A maior parte dos demais integrantes da equipe na viagem à ásia, contudo, encaixa-se no que o técnico da seleção classifica de "crescimento profissional" do jogador, ou seja, o de ter a oportunidade de ser convocado para observações no time principal.
Segundo Luxemburgo, é bom que atletas mais novos vejam de perto como funciona a seleção brasileira, o que não significa que "todos tenham de ser escalados" nos jogos. "Não posso preocupar-me com imediatismos", insistiu, ao lembrar que nem a derrota para a Coréia do Sul vai fazer com que ele abandone seu esquema de trabalho. Ele negou que o resultado negativo diante dos coreanos vá servir de motivação para os jogadores na partida contra o Japão. "Vestir a camisa da seleção já é motivação para ganhar", justificou.
Falando após o treino para a partida de amanhã, Luxemburgo ainda prometeu jamais basear seu método de trabalho à frente da equipe "apenas em resultados obtidos em 90 minutos de jogo". Ao contrário, ele garantiu ser necessário ter um projeto maior, que inclua, desde já, a preparação de um time forte também para a Copa de 2002. FICHA TÉCNICA: Japão - Yamaguchi; Ihara, Morioka, Akita e Itoh (Fujita); Nanami
Sohma, Yamada e Nakata; Wágner Lopes e Nakayama (Jo). Técnico Philippe Troussier. Brasíl - Rogerio Ceni; Cafu, Odvan, César e Felipe; Flávio Conceição, Émerson, Rivaldo e Juninho; Amoroso e Fábio Júnior. Técnico Wanderley Luxemburgo. Juiz Shamsul Maidin (Cingapura). Local Estádio Nacional, em Tóquio. Horário - 7h05 (Horário de Brasília) TV- Globo

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