Florianópolis, 05 (AE) - Com a boa vitória da dupla Gustavo Kuerten e Jaime Oncins sobre os franceses Cedric Pioline e Nicolas Escude por 3 a 0, parciais de 6/4, 6/4 e 6/4, o Brasil já assegurou, antecipadamente, sua classificação para as quartas-de-final da Copa Davis. Com os resultados das simples, em que Guga derrotou Jerome Golmard por 3 a 1 e Fernando Meligeni superou Cedric Pioline por 3 a 2, a equipe brasileira vai agora jogar diante da República Eslovaca de 7 a 9 de abril, novamente tendo a vantagem do mando de jogo, podendo escolher o local das partidas e a supefície mais conveniente, como o saibro no nivel do mar, possivelmente em Salvador.
A festa em Florianópolis foi completa. Num sábado de sol e calor, os brasileiros devolveram um resultado que estava engasgado na garganta dos brasileiros, com um pequeno grupo chegando a ensaiar um grito de 1..., 2..., 3... a... 0, repetindo a comemoração dos franceses na final da Copa do Mundo de 1998. A maioria não entrou na provocação e preferiu cantar e dançar nas arquibancadas. Os jogadores mantiveram o estilo na comemoração, após a partida.
Começou com banho de champanhe. Guga estava eufórico e confessou que o resultado teve um gosto especial, pela possibilidade de vingança. Lembrou que no ano passado em Pau, empenhou-se bastante mas não conseguiu a vitória.
"O importante agora é que estamos com a vaga garantida", disse. "Agora muita festa e comemoração".
Mesmo neste clima, Guga fez questão de elogiar a atuação de Jaime Oncins, dizendo que o entrosamento da dupla foi decisivo para o Brasil conquistar mais uma vitória neste confronto.
O técnico Ricardo Acioly também lembrou que a união deste grupo foi muito importante para o Brasil derrotar a França. Confirmou ainda a intenção de enfrentar os eslovacos, Karol Kucera e Dominik Hrbaty (que venceram a áustria por 3 a 0), em uma quadra de saibro, num local próximo ao mar.
"Queremos um local em que a quadra esteja lenta", disse. "Por isso é importante jogarmos no saibro e ao nível do mar." Com o confronto já definido, as partidas deste domingo perdem a importância e serão disputadas apenas para cumprir compromissos com televisão. Os jogos passam a ser em melhor de três sets e não mais em cinco, e os titulares podem ser substituídos.
Bom jogo - Guga e Oncins jamais perderam o domínio da partida. Desde os primeiros momentos do jogo, os brasileiros mostraram ter um time mais entrosado e eficiente. Logo, o Brasil abriu vantagem de 2 a 1 e saque, mas, ainda um pouco perturbado e cometendo as habituais duplas faltas, Oncins perdeu o seu serviço, permitindo o empate aos franceses.
Esta quebra de saque não perturbou a tranquilidade da equipe brasileira. Guga e Oncins voltaram a abrir vantagem sobre Pioline e Escude até definirem a primeira série por 6 a 4.
A história do segundo set foi ainda mais tranquila. Guga e Oncins sairam quebrando o serviço do adversário e mantiveram a vantagem até fechar em 6 a 4. O terceiro e decisivo set começou bem com uma quebra de serviço já no primeiro game. Logo a seguir os brasileiros conseguiram outra vantagem e abriram 4 a 1. Só que num momento de descuido, Guga acabou perdendo seu serviço, mas não comprometeu o resultado, pois a dupla do Brasil mantinha-se com uma quebra de vantagem.
O jogo voltou a ter uma importante vibração da torcida. Nos momentos mais difíceis, o próprio Guga comandou o público, gritando e pedindo o incentivo do público.
A torcida no início chegou a sofrer um susto. Mas nada com relação aos jogadores. É que numa exigência meio absurda do regulamento da Copa Davis não pode haver predominância de cores amarelas na torcida, especialmente no fundo de quadra, para não confundir os jogadores, com a mesma cor da bolinha. A organização pediu para que os torcedores trocassem suas camisas, pois muitos haviam recebido camisetas amarelas do Banco do Brasil, patrocinador de Guga e da equipe brasileira. Alguns atenderam ao pedido, mas num país em que a Seleção Brasileira joga de amarelo, é estranho pedir que não usem esta cor. Durante a partida, porém, nenhum dos quatro tenista fez qualquer reclamação.

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