Brasil encara pressão sul-africana por final
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quarta-feira, 24 de junho de 2009
Sílvio Barsetti e Luiz Antônio Prósperi<br> Agência Estado 
Johannesburgo - Temperatura na casa de um grau negativo. Casa cheia, com expectativa de pelo menos 60 mil pessoas torcendo contra, ao som das irritantes vuvuzelas (cornetas). E um gramado em péssimas condições. Neste ambiente adverso, o Brasil decide contra a África do Sul uma vaga à final da Copa das Confederações, hoje, a partir das 15h30 (horário de Brasília), no Estádio Ellis Park, em Johannesburgo.
Os sul-africanos estão animados e cheios de confiança para enfrentar o Brasil. Para ajudar, os jogadores da seleção e o técnico brasileiro Joel Santana foram visitar nesta terça-feira a lenda viva Nelson Mandela, de 91 anos. Posaram para fotos e receberam o apoio do maior líder da África do Sul. ''Boa sorte e eu acredito em vocês, foi tudo o que ele disse'', contou o zagueiro e capitão Mokoena.
''Foi um momento especial para nós. Foi incrível se reunir com ele. Ele sempre teve convicção em nós, não só nesta equipe, mas em todas seleções sul-africanas'', disse Mokoena. ''Mandela é uma pessoa extremamente carismática, a sua simples presença e a maneira como ele falou nos passou paz e tranquilidade. Nunca em minha vida pensei que teria a oportunidade que tive hoje'', afirmou Joel Santana.
Abençoados por Mandela e empurrados pela imensa torcida, os jogadores da Bafana Bafana (apelido da seleção sul-africana) querem entrar para a história nesta quinta-feira. Por tudo isso, Dunga ligou o sinal de alerta do lado brasileiro. ''A motivação desses jogadores é imensa para jogar contra o Brasil e fazer uma grande partida. Eles são os donos da casa, estão crescendo na competição'', avisou o treinador.
Além da motivação natural, Dunga elogiou o time da África do Sul. ''Fizeram um bom jogo contra a Espanha (derrota por 2 a 0). É uma equipe africana, com as características tradicionais, são rápidos e fortes. Tentaremos bloquear os pontos positivos deles'', disse o treinador, que sabe que os brasileiros irão jogar sob imensa pressão, diante de tamanho favoritismo contra os sul-africanos.
Mas a estratégia de Dunga não muda. O Brasil deve marcar forte e resolver a questão nos contra-ataques - de preferência, ainda no primeiro tempo, como já fez nas vitórias contra Estados Unidos e Itália. Na escalação, apenas uma dúvida: Luisão ou Miranda na vaga de Juan, que sofreu uma lesão na coxa esquerda e está fora da disputa da Copa das Confederações - a tendência é pelo primeiro.
Entre os jogadores brasileiros, o clima é de muito otimismo e confiança. Eles têm a nítida noção do que enfrentarão no Estádio Ellis Park. Luís Fabiano sintetiza o sentimento do grupo. ''Eles vão jogar sem pressão. Se perderem, tudo bem. Perderam do Brasil. Agora, se ganharem, será feriado nacional'', admitiu o atacante, que é o artilheiro da seleção no torneio, com três gols marcados.


