Cingapura - O estádio Nacional de Cingapura, inaugurado em junho, custou o equivalente a R$ 3,5 bilhões para ser construído, mas tem um gramado de péssima qualidade. Há muitas falhas no campo encobertas por areia e marcações duplas nas laterais e na área do goleiro - o local não é usado apenas para partidas de futebol e foi concebido para receber também jogos de rúgbi e críquete. Nesse "areião", o Brasil enfrenta o Japão, nesta terça-feira, às 7h45 (de Brasília), fechando a série de dois amistosos na Ásia.
O estado do gramado contrasta com o luxo e a modernidade das instalações do estádio. Erguida no espaço do antigo estádio Nacional, que foi demolido em 2010, a arena possui o maior teto retrátil do mundo, que abre e fecha em apenas 20 minutos. A capacidade é para até 55 mil pessoas e cada assento possui um sistema individual de refrigeração, que consome 12 litros de ar por segundo.
Dunga foi quem mais reclamou das condições do gramado. "Tem mais areia do que grama. Tem uma parte com grama sintética, pouca grama natural e muita areia. Vai ter um pouco de dificuldade na hora de controlar a bola, na hora de passar, de dar velocidade ao jogo".
Ele, inclusive, teme que os atletas possam sofrer lesões por causa das falhas no gramado. "Os jogadores têm de um tomar um certo cuidado, vamos esperar que essa grama-areia não abra muitos buracos durante o jogo", disse o treinador brasileiro.
Antes do treino, Neymar havia reclamado do estado do gramado do estádio Nacional. "O campo não é dos melhores, mas estamos aqui para fazer o melhor que podemos. Em campo bom ou ruim, temos de jogar. Prejudica muito, mas não podemos escolher, ninguém pergunta nada para a gente. Faz parte".
Esse é o terceiro gramado seguido que a seleção joga e não agrada ao treinador. Dunga também se queixou do estádio Ninho do Pássaro, em Pequim, na China, onde a seleção enfrentou a Argentina, no último sábado. Segundo o treinador, a grama era irregular e em alguns pontos a bola quicava e em outros, não. A mesma crítica foi feita por ele em relação ao gramado do estádio MetLife, em Nova Jersey, nos Estados Unidos, onde o Brasil venceu o Equador por 1 a 0 no mês passado.

TIME
Se na primeira passagem de Dunga pela seleção brasileira, de 2006 a 2010, o contra-ataque era o ponto forte da equipe, agora são as jogadas de bola parada que estão se destacando. Três dos quatro gols marcados pelo Brasil até agora nasceram de cobrança de falta ou escanteios. Contra o Japão, este tipo de jogada pode voltar a ser decisiva.
O jogadores brasileiros que entrarão em campo são, em média, dois centímetros mais altos do que os japoneses. Mas nenhum asiático chega perto do zagueiro Gil, do Corinthians, que mede 1,93m, e deve ficar com a vaga de David Luiz, machucado. O jogador de linha mais alto do elenco japonês é Masato Morishige, 10 centímetros mais baixo que Gil.
A estratégia de Dunga será, desde o início do jogo, insistir nos contragolpes, com transição rápida entre defesa e ataque. Mas, como o Japão deve jogar mais fechado e oferecerá poucos espaços ao Brasil, é possível que esse tipo de jogada não surta muito efeito. E é aí que entram os lances de bola parada. A seleção, com o novo comando, tem treinado forte as jogadas de bola parada.

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