Rio - Sem dúvida, as duas melhores seleções do planeta estão, com justiça, na decisão do Mundial de Futsal, hoje, às 10h30, no Maracanãzinho. Brasil e Espanha são as duas únicas equipes que se mantiveram invictas na competição. E vêm assim há um bom tempo.
A última derrota da Espanha foi em amistoso no dia 11 de novembro de 2005 para o... Brasil (2 a 1, em Brasília). Os brasileiros não sabem o que significa perder faz 101 partidas. No dia 8 de dezembro de 2005, o último resultado negativo: 1 a 0, para a... Espanha, em Goiânia.
Os dois se alternam na hegemonia da modalidade. A Espanha detém a taça dos Campeonatos do Mundo de 2000 e 2004. O Brasil venceu os títulos Fifa em 1996, 1992 e 1989. Antes, já havia levado os de 82 e 85, quando o torneio era organizado pela extinta Fifusa (Federação Internacional de Futebol de Salão).
Um único jogo entre os dois times define se o antigo rei do futsal retoma o posto ou se aquele que reina há oito anos permanecerá por mais quatro no trono. Apesar das estrelas em quadra, muito do resultado deverá ser creditado na conta dos técnicos das equipes.
O Brasil está sedento por dominar o esporte novamente. O técnico Paulo César de Oliveira faz um trabalho metódico, como durante toda a sua carreira - chegou a seis finais da Liga Brasileira de Futsal e venceu quatro.
Claro que tem alguns dos melhores jogadores do mundo - quatro deles, Falcão, Lenísio, Schumacher e Tiago, estão entre os 10 indicados da Fifa ao prêmio de melhor do mundo. Mas, na seleção, implantou um sistema que privilegia mais a defesa, o setor em que os times de 2000 e 2004 mais falharam e foram derrotados nos Mundiais anteriores. Antes, procura não tomar gols para depois fazer. E não gosta da palavra show. ''Estamos há 12 anos dando espetáculo para perder'', disse.
Na realidade, exagera. Desde que assumiu, em 2005, dirigiu a seleção brasileira por mais de 120 jogos. Só perdeu para a Espanha e está invicto à frente da equipe há 101 partidas. Muitas das vezes, deu show, sim. ''O lado individual é decisivo'', lembrou o próprio treinador. ''O que a gente procura é se adaptar ao modelo espanhol. A gente tenta se igualar na tática aos europeus porque, individualmente, nossos jogadores são superiores''.
Do outro lado, porém, há também jogadores criados no Brasil. Daniel disputa seu terceiro Mundial. Fez um dos gols da final (vitória de 4 a 3) contra o Brasil em 2000. Marcelo foi campeão com a Espanha em 2004 também marcando um gol na semifinal contra os brasileiros (empate por 2 a 2, 5 a 4 nos pênaltis). Numa partida contra a seleção de sua terra natal, só falta o novato pivô Fernandão decidir. ''Não vou sentir pressão por jogar no lugar onde nasci'', disse. ''Sou espanhol''.

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