Brasil encara a Rússia e o frio de Moscou
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terça-feira, 28 de fevereiro de 2006
Silvio Barsetti<br> Agência Estado 
Moscou - O amistoso do Brasil com a Rússia, hoje, em Moscou, pode ser resumido numa frase, adaptada de um conhecido comercial de TV: Garçom, traga por favor uma estupidamente gelada. A partida vai ser disputada sob frio intenso a temperatura na capital russa chegou a 12 graus negativos ontem e o que é pior, num piso muito castigado pela neve, com mais barro do que grama.
A exposição a tais condições dos atletas de uma seleção de ponta, pentacampeã mundial, três meses antes da Copa da Alemanha, atende a uma exigência de contrato entre a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e uma de suas patrocinadoras oficiais, a Ambev.
Pelo acordo, a empresa tem o direito de organizar e agendar um jogo por ano da seleção. A Ambev está interessada em incrementar a venda na Rússia de uma das cervejas mais populares no Brasil. A partida vai começar às 19 horas (13 horas de Brasilia), com transmissão direta pela TV Globo.
Para vários jogadores da seleção, enfrentar a Rússia, eliminada na fase classificatória do Mundial, não vai passar de um compromisso protocolar. Quase todos estão mais preocupados com as fases finais dos campeonatos europeus e da Liga dos Campeões da Europa. Eles, porém, sabem dos riscos de sofrer uma lesão muscular atuando sob temperatura tão baixa, num campo que contrasta com a qualidade técnica do grupo brasileiro.
Nas entrevistas, o discurso da comissão técnica e dos atletas parecia ensaiado. Ninguém reclamava do frio e do gramado. Ao contrário, diziam que dificuldades e obstáculos fazem parte e são importantes numa fase final de preparação de Mundial. Nós corremos o risco de lesões a todo instante, em treinos e jogos. Não é porque está mais frio em Moscou que vamos ter de pensar nisso, disse o meia Ricardinho, confirmado como titular no lugar de Ronaldinho Gaúcho, cortado por contusão no tornozelo.
Pelo amistoso, a Ambev deve receber em torno de US$ 1,5 milhão. O compromisso de hoje será o último do Brasil antes do anúncio dos 23 convocados para a Copa da Alemanha, no dia 15 de maio. Depois, entre 31 de maio e 4 de junho, a equipe vai realizar dois jogos-treinos, contra Nova Zelândia e possivelmente enfrentando um combinado suíço.
Para Ronaldo, a motivação de defender o Brasil supera adversidades como baixa temperatura e gramado ruim. O importante é vestir sempre a camisa da seleção, declarou o atacante, antes de ter contato direto com a longa faixa barrenta que predomina no Lokomotiv Stadium.
Na tentativa de evitar problemas musculares, os jogadores do Brasil vão fazer um aquecimento especial, um pouco mais longo que o comum, quando faltar uma hora para o início do amistoso. Eles usarão camisa térmica e ainda uma malha impermeável antes de vestir o calção.
O goleiro Rogério Ceni deixou claro que sempre estará à disposição da seleção para jogos em quaisquer circunstâncias. Mas, depois do treino, não escondeu sua curiosidade pelo que pode render hoje, por causa do frio em Moscou. Os pés e as mãos ficam doendo muito, praticamente congelados. O restante do corpo está bem protegido, revelou.
EM MOSCOU
Rússia
Akinfeev; A.Berezutski, V.Berezutski, Ignashevich e Kolodin; Semak, Aldonin, Smertin e Semshov; Arshavin e Kerzhakov. Técnico: Alexandr Borodiuk
Brasil
Rogério Ceni; Cicinho, Lúcio, Juan e Roberto Carlos; Emerson, Zé Roberto, Ricardinho e Kaká; Ronaldo e Adriano. Técnico: Carlos Alberto Parreira
Árbitro: Massimo Busacca (Suíça)
Estádio: Lokomotiv Stadium
Horário: 13 horas (de Brasília)


