Time asteca é o penúltimo obstáculo da equipe de Luxemburgo na caminhada rumo ao bicampeonato sul-americano
As seleções do Brasil e do México decidem hoje, às 21h35, no Estádio Três de Febrero, em Ciudad del Este, uma das vagas na final da Copa América - a outra seria decidida ontem à noite entre Chile e Uruguai. O técnico mexicano Manuel Lapuente faz mistério para a escalação do time, enquanto Wanderley Luxemburgo vai manter o time que começou o jogo contra a Argentina.
Brasil e México já se enfrentaram na primeira fase desta Copa América, com vitória brasileira por 2 a 1, gols de Amoroso e Alex no primeiro tempo, para o Brasil, e de Terrazas para o México, no segundo tempo. A Seleção Brasileira deve agradecer o resultado a Dida, que aos 43 minutos fez uma defesa milagrosa. O vencedor decide o título, domingo que vem, no Estádio Defensores del Chaco, em Assunção.
O estilo de jogo do México é semelhante ao da Argentina, principalmente na defesa. O time joga com três zagueiros e faz a marcação adiantada, a partir da intermediária de ataque, abafando a saída de bola do adversário.
‘‘O México perdeu o jogador Lara, que era quem fazia a ligação para o ataque, e ainda não sabemos como o time deles vai jogar’’, disse ontem o consultor técnico Candinho, auxiliar de Luxemburgo na Seleção Brasileira. O volante Lara e o meia Chávez foram suspensos da Copa América por terem sido pegos em um exame antidoping feito logo após o jogo com o Brasil, na primeira fase.
No treino tático de ontem à tarde, no Estádio do ABC, em Foz do Iguaçu, o técnico Luxemburgo tentou melhorar a saída de bola da equipe brasileira - bastante falha na partida contra a Argentina. Ele quer toques mais rápidos partindo da defesa para o ataque. O técnico orientou os jogadores para não carregarem muito a bola. Abriu ora Amoroso, ora Ronaldo bem pelas pontas, tentando encontrar espaços para Rivaldo e Zé Roberto.
Rivaldo reconheceu ontem que prendeu demais a bola no jogo com a Argentina. ‘‘Tem alguns momentos em que a gente não é feliz e chega a irritar a torcida, a imprensa e até a mim mesmo. Devo mudar a maneira de jogar, pois sei que não fui bem contra a Argentina’’, disse o meia, que quer evitar a comparação entre suas atuações no Barcelona com as da Seleção (veja texto ao lado).
Mesmo não jogando bem, foi Rivaldo quem garantiu o gol de empate numa bela cobrança de falta. Na Espanha, ele costuma treinar de 30 a 40 chutes em ensaios de faltas depois dos treinos do Barcelona. Continua a fazer esses treinamentos na Seleção. Quanto ao gol em Burgos, ele explica como foi: ‘‘O Burgos marca o jeito do cobrador preparar a bola. Eu fiquei na minha e quando vi que ele estava esperando a bola por cima da barreira, meti a bola no canto dele’’.
Hoje ele terá pela frente o Jorge Campos, do México. ‘‘Quando cheguei a Foz, encontrei o Jorge Campos, que também estava no aeroporto, e ele avisou que ‘estava esperto’ comigo’’, contou.
Rivaldo avisa que, apesar de ser baixinho e jogar adiantado, Campos é muito rápido e difícil de ser enganado em chutes de longa distância. ‘‘Ele parece que provoca ao ficar adiantado. Dá para tentar chutar de longe, mas posso passar vergonha se ele voltar e matar a bola no peito.’’ Mesmo assim, Rivaldo manda o goleiro ficar mesmo ‘‘esperto’’ com ele. ‘‘O Jorge Campos é a metade do Dida, e vou tentar chutes de fora da área.’’
O técnico Manuel Lapuente deverá contar no jogo de hoje com o retorno do atacante Blanco - uma das principais peças de seu esquema tático, que cumpriu suspensão depois de ter sido expulso no jogo com a Venezuela - e do lateral Pardo, já recuperado de uma contusão na perna direita. ‘‘Com Blanco, ganhamos um ataque mais veloz’’, definiu o treinador ontem, em entrevista coletiva.
Em relação ao esquema defensivo, Lapuente reiterou sua preocupação em marcar os laterais brasileiros - Cafu e Roberto Carlos - para anular o nascimento de jogadas de ataque, além dos atacantes Ronaldo e Amoroso. Ele disse que o time está ‘‘entusiasmado’’ para enfrentar e vencer o Brasil. ‘‘Temos que perder o medo’’, afirmou Lapuente. ‘‘Nesta Copa América já caíram favoritos como Paraguai e Colômbia. O Brasil pode cair amanhã (hoje).’’

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