DivulgaçãoO treinador Acioly orienta Fernando Meligeni nos treinosO sol finalmente apareceu em Ribeirão Preto. Brasileiros e norte-americanos não perderam tempo e logo de manhã já estavam batendo bola nas quadras secundárias do Tennis Country Club. Treinaram lado a lado. Enquanto Jim Courier sofria calado com o sol, sem esboçar nenhum tipo de reação com qualquer jogada, Fernando Meligeni e Jaime Oncins davam um show à parte, soltando gritos, xingando a si próprios e jogando a raquete no chão. No que depender dos brasileiros, o tempo estará quente na briga pela permanência na Copa Davis.
O comportamento dos tenistas das duas equipes é totalmente oposto. Os norte-americanos treinam calados. O único que chega a esboçar alguma vibração é Alex O’Brien, que vai jogar a partida de duplas com Richey Reneberg. ‘‘Hoje eu joguei a raquete no chão umas quatro vezes’’, entrega O’Brien. Os demais são totalmente frios. Courier é introspectivo ao extremo. Na semana que antecede a disputa da Davis, o tenista número 22 do mundo se isola dos próprios companheiros. Enquanto seus colegas conversam nos momentos de lazer, Courier prefere ficar num canto, ouvindo rock no walk-man, especialmente as músicas do grupo REM, seu favorito.
Desde que chegou ao Brasil, Courier não deu nenhuma declaração pública. Sua falta de carisma foi muito criticada pelos fãs do tênis quando ele chegou a ser o número um do mundo. O capitão da equipe brasileira, Paulo Cleto, acha que seus jogadores conseguem fazer o norte-americano falar. ‘‘Vamos ver se ele continua quieto num jogo de cinco sets’’, aposta Cleto.
SozinhoOs tenistas brasileiros fazem da vibração uma forma de auto-estímulo durante a partida. Não estranhe o torcedor que vir Meligeni falando sozinho após cada ponto. ‘‘Não consigo jogar quieto’’, diz Meligeni. ‘‘Fico irritado quando vejo aqueles caras que fazem uma bela jogada e ficam ajeitando as cordas da raquete enquanto o público bate palmas.’’
Meligeni explica que seu temperamento explosivo pode até perturbar o adversário. ‘‘Quando estou gritando e quebrando tudo, o oponente não tem como saber se estou descontrolado ou não’’, argumenta. ‘‘Durante o jogo eu vibro mesmo, dou risada e brinco com o público.’’ Quem não se lembra de Meligeni imitando uma borboleta que tinha acabado de passar na frente do indiano Leander Paes durante a disputa da medalha de bronze em Atlanta? O brasileiro quebrou a concentração do adversário sem perder a esportiva.
Gustavo Kuerten não é de falar muito durante uma partida, mas demonstra vibração e gosta de chamar a torcida. Jaime Oncins costuma dar sonoros desabafos quando erra uma jogada. Os brasileiros vão para a quadra com o sangue fervendo. ‘‘Se jogarem como homens, eles podem complicar o jogo para os norte-americanos’’, indica Paulo Cleto. A tática que o Brasil pretende colocar em prática é a de tornar o jogo o mais demorado possível. A intenção é vencer os norte-americanos pelo cansaço. Ontem, Meligeni e Oncins jogaram durante quatro horas.

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