Brasil e Argentina devem decidir jogo nos detalhes
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 01 de fevereiro de 2000
Por Silvio Barsetti 
Londrina, 01 (AE) - O Brasil estréia no quadrangular final do Torneio Pré-Olímpico amanhã, às 21h40, contra seu maior rival da América do Sul, a Argentina, em partida que deverá ser decidida nos detalhes, como prevê o técnico Wanderley Luxemburgo. Uruguai e Chile vão-se enfrentar na preliminar da rodada dupla, no Estádio do Café. Os jogadores da seleção esperam um jogo com catimba e provocações dos argentinos, mas todos receberam a orientação para não reagir. "Vamos buscar a vitória somente com futebol, sem violência", disse Luxemburgo. Pelo número de advertências recebidas, a Argentina não tem mais como conquistar o Troféu Fair-Play, que premia a seleção mais disciplinada da competição - até agora esse título é do Brasil.
Luxemburgo optou por manter o time que iniciou o jogo com a Colômbia, substituindo apenas Mancini por Baiano na lateral-direita. A formação ofensiva, com Edu e Alex no meio e Ronaldinho e Lucas na frente, tem como objetivo tirar proveito de um suposto nervosismo da Argentina, no início da partida, por causa da goleada histórica aplicada pelo Brasil nos colombianos, por 9 a 0. O treinador quer que a torcida de Londrina compareça em grande número ao estádio para ser o "centroavante" da equipe - as vendas antecipadas de hoje ainda não indicavam muito interesse pelo jogo, o que pode mudar durante o dia.
O meia Mozart vai ficar na reserva e pode entrar no intervalo se o Brasil conseguir vantagem no placar. Ao contrário do que fez nas últimas partidas, quando foi várias vezes para o ataque e procurou tabelas com Alex, Ronaldinho e Lucas, o lateral Athirson vai ter amanhã de se preocupar mais com a marcação. Pelo seu setor, terá a companhia de Marcos Paulo. No lado direito, Baiano só poderá ir ao ataque quando Fabiano estiver mais atrás. Luxemburgo quer o máximo de atenção com os contra-ataques da Argentina e alertou o time para ter atenção com os destaques do time adversário: Riquelme, Aimar e Saviola.
Luxemburgo até considera um empate um bom resultado, dependendo das circunstâncias da partida. Ele, no entanto, expôs aos jogadores a importância de duas vitórias seguidas, amanhã e sexta-feira, contra o Chile, para enfrentar o Uruguai, no domingo, com a classificação provavelmente assegurada. Na preleção minutos antes do jogo, o técnico voltará a pedir que seus jogadores não se deixem influenciar por provocações. Luxemburgo quis evitar polêmicas com os argentinos, apesar de reconhecer que a rivalidade entre as duas seleções faz parte da tradição do futebol sul-americano.
"Com relação a esse aspecto, não quero meu time nem muito morto, nem muito mordido, mas sempre visando à bola." O treinador justificou o esquema ofensivo com uma frase: "Na reta final, não pode haver medo de perder e sim vontade de vencer."
A Argentina joga desfalcada do zagueiro Diego Placente e do volante Diego Markic, expulsos na última partida da primeira fase, contra o Uruguai.
BRASIL - Fábio Costa; Baiano, Fábio Bilica, álvaro e Athirson; Marcos Paulo, Fabiano, Alex e Edu; Ronaldinho e Lucas. Técnico - Wanderley Luxemburgo. ARGENTINA - Bizarri; Cufre, Milito e Ricchuete; Cambiasso, Riquelme, Duscher, Scalloni e Aimar; Saviola e Romeo (Biagini). Técnico - Jose Peckerman. Juiz - Carlos Amarilla (Paraguai).


