Maracaibo, Venezuela - Vistas com desconfiança por boa parte de seu público durante toda a primeira fase da Copa América, as seleções de Brasil e Uruguai deram a volta por cima nas quartas-de-final, quando golearam respectivamente Chile e Venezuela. E é neste embalo que as duas equipes se enfrentam hoje, às 21h45 (de Brasília), no Estádio José Encarnación ''Pachencho'' Romero de Maracaibo, em jogo que vale uma vaga na decisão da competição que está sendo realizada na Venezuela.
É a segunda vez consecutiva que os uruguaios atravessam o caminho dos brasileiros uma fase antes da disputa do título. Na última competição continental, em 2004, no Peru, os tradicionais rivais também se encontraram na semifinal, e a equipe comandada por Carlos Alberto Parreira levou a melhor ao vencer a disputa de pênaltis por 5 a 3, após empate em 1 a 1 no tempo normal.
Alívio. Esta é a sensação que tomou conta do Brasil após os 6 a 1 aplicados sobre o Chile no último sábado. Todos consideram que o resultado ajudou a mostrar que a seleção poderá brigar pelo título da Copa América. ''Sempre achamos que seria possível conquistar o título, pois todos na seleção querem conquistar o seu espaço. Estamos aqui para provar para nós mesmos que temos condições de sermos campeões'', afirmou o lateral-direito Maicon.
Apesar da satisfação com o bom rendimento nas quartas-de-final, todos na seleção brasileira sabem que dificilmente encontrarão a mesma facilidade para passar pelos uruguaios. ''O Uruguai é uma força no futebol, um adversário tradicional. Tem muita rivalidade em jogo. Por isso, precisamos estar muito bem preparados para que a gente possa sair de campo com a classificação'', afirmou o zagueiro Juan.
Por sua vez, o técnico Dunga ainda mostra guardar algumas mágoas pelas críticas que recebeu devido às más atuações do Brasil no início da Copa América. Para o treinador, o trabalho começa a render frutos com a sequência de jogos na competição. ''A principal virtude da seleção brasileira é o trabalho. A parte coletiva do time, a movimentação com harmonia. As jogadas pelas laterais estão saindo. Com o passar do tempo e dos treinamentos, os lances começaram a sair'', explicou Dunga.
Sem maiores problemas, Dunga deverá repetir a formação do último jogo, apesar dos comentários de que seu meio-campo tem poucos jogadores de criação. ''O time vem rendendo mais com essa formação e não vejo motivos para mudar. O mais engraçado é que a Argentina também joga com três volantes e ninguém critica. Só dizem que é o melhor time e o que joga melhor na competição'', comentou Dunga.
No lado do Uruguai, o técnico Oscar Tabárez não esconde que sua seleção ganhou uma nova motivação após a goleada sobre a Venezuela. Otimista, ele confia que seus comandados possam repetir a boa atuação hoje. ''Começou uma nova Copa América para a gente após este jogo com a Venezuela. Jogamos o que ainda não havíamos jogado. Estou confiante de que podemos derrotar o Brasil, caso nosso time repita aquele desempenho'', afirmou.
Tabu - O Brasil vai defender um tabu de quase 50 anos sem perder para o Uruguai em partidas disputadas em um campo neutro. A última vitória uruguaia, em terreno misto, foi em 12 de dezembro de 1959, por 3 a 0, em Guaiaquil, pelo Campeonato Sul-Americano Extra - o Brasil foi representado por uma seleção pernambucana com jogadores de Santa Cruz, Sport e Náutico.


EM MARACAIBO

Brasil

Doni; Maicon, Alex, Juan e Gilberto; Gilberto Silva, Mineiro, Josué e Julio Baptista; Robinho e Vágner Love. Técnico: Dunga

Uruguai

Carini; Scotti, Lugano e Darío Rodríguez; Pereira, Pablo García, Pérez, Fucile e Cristhian Rodríguez; Forlán e Recoba. Técnico: Oscar Tabárez

Árbitro: Não divulgado
Estádio: José Encarnación Romero
Horário: 21h45 (de Brasília)

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