Frankfurt - Quarenta e dois dias depois de desembarcar na Europa rotulada de favorita ao título mundial, o que restou da seleção brasileira após a derrota para a França nas quartas-de-final deixou a Alemanha ontem sob vaias e, de maneira melancólica, pela porta dos fundos da Copa. Cerca de cem pessoas, entre curiosos e torcedores revoltados, protestaram contra a eliminação da equipe na saída da delegação do hotel em Frankfurt, rumo ao aeroporto. Um forte esquema de segurança barrou a entrada da imprensa e da torcida na pequena rua Kleine Friedberger, na saída secundária do hotel, mas não impediu a manifestação.
Como os torcedores não sabiam que quase todos os titulares já haviam ido embora, sobrou para os reservas e a comissão técnica. Do time principal apenas o capitão Cafu, um dos mais criticados ao lado de Ronaldo e Roberto Carlos, estava presente e ouviu os coros de ''time sem-vergonha'', ''pipoqueiros'', além de xingamentos. Quando o técnico Parreira apareceu, o coro entoado era de ''Felipão, Felipão, Felipão''. Ele não esboçou qualquer reação.
O ônibus da delegação brasileira deixou o hotel às 20h23 (horário da Alemanha). Alguns torcedores acenaram para os jogadores, o que provocou protesto dos mais revoltados. Alguns italianos e franceses, rindo e com deboches, reforçaram a turma dos xingamentos, que tinha entre um dos mais revoltados o paulista e dono de cartório Eudes Pontes da Silva, 41 anos, que veio à Copa acompanhado de quatro amigos. ''O Parreira foi o maior responsável por tudo isto. O time não tinha esquema e ele se acovardou na hora de tirar o Ronaldo gordo. O mundo inteiro tirou onda com este caso e nem assim tomou providência'', afirmou.
Ele estava revoltado não só pela eliminação em si, mas também pelas consequências: diz estar perdendo 75 euros por dia, porque pagou a estadia de hotel adiantada. A seu lado, o gaúcho Heitor Schmidt, 44, bancário na Alemanha, reforçava os protestos contra o técnico, o maior alvo das críticas. ''Os jogadores não tiveram brios de macho. E o Parreira errou porque não tirou os dois laterais (Cafu e Roberto Carlos) e o centroavante (Ronaldo) para pôr jogadores mais novos e com vontade de ganhar'', disse.
Cláudio Coppola, 38, que trabalha no mercado financeiro, veio à Alemanha com a mulher e os dois filhos. Ele já decidiu que torcerá, agora, para Portugal, por causa do técnico Luiz Felipe Scolari, o Felipão, que segundo ele passa mais vibração ao time do que o técnico da seleção brasileira. ''Faltou garra. Os jogadores não deram o sangue pela seleção. Parecia que jogavam achando que venceriam a qualquer momento. Olha a diferença para o time do Felipão? Ele não tem craques, mas tem uma equipe''.
No aeroporto de Frankfurt, a delegação brasileira não passou pelo mesmo constrangimento por causa de um esquema especial, que isolou a equipe apenas o volante Mineiro teve contato com jornalistas, porque chegou separadamente. O grupo seguiu para o Brasil em dois vôos um para o Rio e outro para São Paulo.

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