Paris - O técnico Carlos Alberto Parreira tem alegado que a Copa das Confederações é laboratório para a disputa das Eliminatórias para 2006. Se as observações para definir o elenco dependessem da estréia de ontem, o treinador provavelmente chegaria à conclusão de que os jogadores que entraran no gramado do Estádio de Saint-Dennis deveriam voltar para casa. O time pentacampeão do mundo mostrou futebol indigente, medíocre, sonolento e recebeu como castigo a derrota por 1 a 0 para Camarões, em golaço marcado por Eto'o. A nova sessão tortura está marcada para amanhã contra os Estados Unidos, em Lyon.
O Brasil voltou a ser atemorizado pelos mesmos 'fantasmas' que o paralisaram, cinco anos atrás, na final contra a França. A equipe entrou em campo, mas não jogou, exatamente como nos 3 a 0 de 12 de julho de 1998. Parreira optou por manter a formação que bateu a Nigéria por 3 a 0, na semana passada, na esperança de acelerar o entrosamento. Mas se deu mal, porque em toda fase inicial houve apenas duas jogadas que provocaram algum sobressalto na defesa africana.
A presença ofensiva do Brasil se resumiu a esses lances, além de algumas descidas de Belletti. Camarões não fez muito mais do que isso houve uma cabeçada que Dida defendeu e na verdade deixou clara sua opção por esquema defensivo mais forte. Em nenhum momento teve a pretensão de jogar solto, para a frente, como em outros tempos.
O primeiro tempo foi monótono, porém o segundo se revelou insuportável. Parreira viu impassível a equipe tropeçar em erros e enroscar-se na falta de criatividade. O ''melhor lado esquerdo do mundo'', com Ricardinho, Gil e Kléber evaporou, enquanto Kléberson e Émerson não conseguiam ligar defesa e ataque com qualidade. Adriano ficou perdido à frente. Ronaldinho, exceto em uma ou outra ação individual, parecia entorpecido com especulações da imprensa francesa de que pode ir para o Real Madrid, se o português Figo for negociado. A defesa quase não foi incomododa, porque o ataque de Camarões também não chutou a gol.
A indolência nacional recebeu punição aos 37 minutos. Dida bateu tira de meta, a zaga africana rebateu e mandou para Eto'o. Lúcio tentou proteger, com jogo de corpo, errou o tempo da bola como havia ocorrido no gol da Inglaterra, na Copa e o centroavante bateu forte, de longe, sem chance para o goleiro brasileiro.

mockup