O atletismo fechou em grande estilo o grande dia de medalhas do Brasil nos Jogos Olímpicos de Sydney. Depois do bronze no vôlei e no basquete feminino e na vela, com Torben Grael e Marcelo Ferreira, a equipe formada por Vicente Lenílson, Edson Luciano Ribeiro, André Domingos e Claudinei Quirino, conquistou a prata na prova do revezamento 4x100 metros dos Jogos Olímpicos de Sydney. Com o tempo de 37s90, os brasileiros ainda conseguiram bater o recorde sul-americano, que já era deles, de 38s05, conquistado no Mundial de Sevilha no ano passado.
‘‘O que vou falar? Estou muito feliz, orgulhoso e satisfeito. Estamos treinando a três meses e batemos o recorde brasileiro e sul-americano. Não sou de falar muito antes, mas tinha consciência de que sairíamos daqui com uma medalha’’, disse o paranaense Édson Luciano, que agora conquistou a sua segunda medalha olímpica – a primeira foi no revezamento 4x100m, em Atlanta (96). ‘‘O que queríamos era pegar os Estados Unidos de calça curta’’, brincou.
E quase pegou, segundo Maurice Greene, que ganhou duas medalhas de ouro em Sydney (100 metros razos e 4 x 100m). ‘‘Muita gente diz que os Estados Unidos têm a melhor equipe e que vamos ganhar o ouro. Mas temos que correr para isso. O Brasil pressionou. Se não fossem eles não teríamos corrido desse jeito.’’ Os americanos chegaram 2s9 segundos na frente dos brasileiros e ficaram com o ouro. Em terceiro lugar ficou a equipe cubana, com 38s04.
Ao final da prova, os medalhistas brasileiros não conseguiam conter a emoção. Vicente, de 23 anos e em sua primeira participação olímpica, não parava de gritar. ‘‘Essa medalha para a gente tem o valor do ouro’’, comemorava. -
Um pouco mais sereno, Claudinei Quirino fez questão de enaltecer o trabalho feito pelo técnico Jayme Netto. ‘‘Corri com o coração e com mais de 170 milhões de brasileiros me empurrando. Queria agradecer a pessoa mais importante do revezamento, que não entrou na pista. Essa medalha é do Jayme e não há outra pessoa que a mereça mais do que ele. Ele é o nosso mentor, meu melhor amigo, meu vizinho, é como se fosse um pai’’, disse Quirino.
Bronca – Depois da atuação na semifinal do revezamento 4x100m, quando o Brasil terminou em segundo lugar, atrás de Cuba, o técnico Jayme Netto reuniu os atletas para uma ‘puxada’ de orelha. ‘‘Só disse uma coisa a eles: se vocês querem ganhar uma medalha olímpica não podem repetir os erros da preliminar e da semifinal’’, disse o treinador.
A equipe vinha se desentendendo desde os primeiros treinamentos em Sydney, por causa das mudanças de posições determinadas por Netto. Claudinei, que era o terceiro homem a correr, passou para quarto, no lugar de André Domingos, que fechava a prova.
A Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) vai premiar os seis atletas da equipe com R$ 60 mil – R$ 10 mil para cada um. Os atletas reservas da equipe brasileira foram Raphael de Oliveira e Cláudio Souza. Cláudio substituiu Claudinei Quirino na eliminatória para poupar o atleta que tinha participado no mesmo dia da prova dos 200 metros.

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