São Paulo - Com os titulares definidos desde o início da fase de preparação, o Brasil entra em campo hoje, às 16 horas, no estádio Olímpico, em Berlim, para fazer sua estréia e testar seu favoritismo na Copa do Mundo. O primeiro adversário a colocar em xeque a hegemonia brasileira é a Croácia, pelo Grupo F.
A seleção volta à Alemanha para defender seu título mundial, como há 32 anos. A história não traz boas recordações do torneio de 1974. Na ocasião, um time pouco inspirado, sob o comando de Zagallo, caiu diante do ''futebol total'' da Holanda, de Rinus Michels, e teve de se contentar com a disputa pelo terceiro lugar, quando tombou novamente, desta vez contra a Polônia.
Porém, o momento atual é diferente. O técnico Carlos Alberto Parreira terá em campo uma seleção reconhecida internacionalmente por seus talentos na busca pelo sexto título em Copas. Do gol ao ataque, todos os jogadores atuam no futebol europeu, entre eles, o melhor do mundo segundo a Fifa, Ronaldinho Gaúcho.
O jogador do Barcelona não será o único a receber os holofotes. Companheiros no ''quadrado mágico'' escalado por Parreira, Kaká, Ronaldo e Adriano dividem a responsabilidade pelos gols, e também a necessidade de recuar na marcação, até para evitar que o treinador desfaça o esquema e promova a entrada de mais um volante no time habilidoso, Juninho Pernambucano é considerado a primeira opção do treinador, apesar dos desmentidos.
Com o time definido em campo, sobrou espaço para muitas especulações fora dele. A comissão técnica até que tentou, mas pouco conseguiu na intenção de evitar a badalação sobre o elenco estrelado. Polêmicas com Pelé e mesmo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva envolveram o grupo.
Hoje, em Berlim, a bola voltará a ser o assunto principal. A Croácia não esconde que um empate seria um bom resultado, como o ocorrido na última vez em que se encontraram, em agosto passado (1 a 1). A expectativa é de que o time de Parreira tenha pela frente uma equipe fechada na marcação, sem se expor à capacidade ofensiva brasileira.
O principal desfalque do técnico croata Zlatko Kranjcar para o primeiro duelo na Copa será o atacante Ivica Olic, que se recupera de contusão. A responsabilidade pelos gols dos europeus ficará a cargo de Klasnic e Prso.
Quando encerrar a partida de hoje, a seleção brasileira poderá também ter quebrado mais um recorde, entre tantos que acumula: se bater os croatas, será a única a vencer oito partidas consecutivas em Copas.
Ronaldinho De forma espontânea e sem que nenhum repórter tivesse tempo de lhe perguntar sobre o seu astral, o craque Ronaldinho Gaúcho, o melhor do mundo nestes últimos dois anos, parecia inteiramente à vontade na véspera da estréia do Brasil e de entrar em campo para enfrentar a Croácia, levando sobre os seus ombros a responsabilidade de brilhar intensamente nesta e em todas as partidas da seleção.
E uma prova evidente de que está tranquilo foi sua própria transformação. Ronaldinho Gaúcho que se recorre às frases feitas nas entrevistas, não deixando de falar do professor e do grupo, entre outras coisas, conversou de forma tão solta e descontraída quanto se mostra nos campos em jogos decisivos. ''Não me sinto o cara como dizem por aí. O Brasil tem jogadores de altíssimo nível. Os adversários sabem disso e não se preocupam apenas comigo, portanto não sou o cara. Existem vários caras na seleção brasileira'', frisou.
Os milhões de olhares espalhados nos quatro cantos do do mundo só o estimula: ''É maravilhoso passar por um momento que estou passando. E isso me motiva a fazer o meu melhor para ajudar o Brasil.''
Mas a responsabilidade não aumenta sensivelmente num momento desses em que o Brasil estréia numa Copa do Mundo e a nação o aponta como o ponto de desequilíbrio da seleção? ''Tenho que fazer o meu e jogar com alegria. Se minha fisionomia é de alegria dentro do campo é sinal que esto feliz e que a seleção está se impondo'', disse.


BRASIL

Dida; Cafu, Lúcio, Juan e Roberto Carlos; Emerson, Zé Roberto, Kaká e Ronaldinho Gaúcho; Ronaldo e Adriano. Técnico: Carlos Alberto Parreira

CROÁCIA

Pletikosa; Simic, Kovac e Simunic; Srna, Tudor, Kovac, Kranjcar e Babic; Klasnic e Prso. Técnico: Zlatko Kranjcar

Árbitro: Benito Archundia (MEX)
Estádio: Olímpico, em Berlim
Horário: 16 horas

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