Munique - A hora da seleção mostrar um futebol condizente com a tradição brasileira é agora. Diante da Austrália, neste domingo, às 13 horas (de Brasília), no Estádio de Munique, o Brasil entra em campo disposto a melhorar a impressão que deixou na estréia, quando venceu a Croácia por 1 a 0 sem fazer uma grande apresentação. Passado o nervosismo inicial, o técnico Carlos Alberto Parreira aposta em uma subida de produção da equipe, que será a mesma que iniciou o jogo anterior com a dupla Ronaldo e Adriano no ataque e assegurar com uma vitória a passagem para a segunda fase do Mundial.
Parreira sabe que vai encontrar um adversário forte na marcação e que aposta na força física para se impor. O técnico passou os últimos dias mostrando aos jogadores o melhor caminho para conquistar uma vitória que mexa com os brios dos jogadores. A receita é simples: ''O Brasil tem que jogar um bom futebol. Quando digo isto, significa toque de bola, dribles, penetrações, inversão de jogadas, presença dentro da área e saber jogar com a posse de bola e sem ela. Temos que impor o nosso ritmo e não cairmos no choque físico''.
O treinador passou toda a semana dando uma atenção especial a Ronaldo. Ele acha que por tudo o que fez, o Fenômeno tem plenas condições de se recuperar e reencontrar o caminho do gol. ''Ronaldo precisa de ritmo de jogo e está confirmado. É um goleador nato, está interessado em quebrar o recorde de gols de um jogador em Copas e terá uma oportunidade boa diante da Austrália. A estréia ficou para atrás, ele mesmo reconheceu que não esteve bem e agora é vida nova'', afirmou o técnico.
Apesar do discurso otimista, Parreira deixou claro que pode acionar o plano B a entrada de Robinho no lugar de Ronaldo a qualquer momento. Já admitiu também mexer na parte tática. Neste caso, as chances de Juninho ou de Gilberto Silva entrarem no time são grandes. Mas a aposta principal do treinador é na superação dos jogadores. ''Nosso time é bom e aqui mesmo na Alemanha chegou a fazer exibições excepcionais na conquista da Copa das Confederações'', afirmou.
A primeira preocupação de Parreira é ver o Brasil jogar bem. A segunda é acompanhar os adversários. A vitória da Argentina na sexta-feira foi marcante, sobretudo pelo resultado, mas ele bate na mesma tecla: ''Eu já disse que existem uns oito favoritos para ganhar este título e sempre incluí a Argentina neste grupo. Eles têm um grande time e chegaram na Alemanha de maneira desapercebida, sem chamar muita atenção. Ao contrário do Brasil, puderam se preparar com calma, sem sofrerem nenhuma pressão''.
Parreira lembra ainda que a seleção ficou um longo tempo sem disputar jogos oficiais. ''Ficamos oito meses sem jogar e perdemos um pouco o conjunto. Agora, teremos que reencontrar o equilíbrio e este jogo contra a Austrália passa a ser um bom teste de recuperação. Eu já avisei aos jogadores que será preciso muita seriedade. Vamos enfrentar um adversário com muita vontade de superar o Brasil. Além disso precisamos vencer para ficarmos tranquilos em relação a classificação para as oitavas-de-final'', disse ele.
Para o treinador brasileiro, as equipes mais fortes começam a mostrar o seu potencial. Cabe agora ao Brasil fazer o mesmo e mostrar um bom futebol. Caso contrário, o plano B com as mudanças necessárias poderá ser acionado antes mesmo do jogo contra o Japão, na última rodada da primeira fase.


BRASIL
Dida, Cafu, Lúcio, Juan e Roberto Carlos; Emerson, Zé Roberto, Kaká e Ronaldinho Gaúcho; Adriano e Ronaldo. Técnico: Carlos Alberto Parreira

AUSTRÁLIA
Schwarter, Neill, Moore e Chippefield; Emerton, Grella, Culina, Kewell, Wilkshirel e Bresciano; Viduka. Técnico: Guus Hiddink

Árbitro: Marcos Merck (ALE)
Estádio: Olímpico, em Munique
Horário: 13 horas

mockup