Brasil busca reabilitação nos campos asiáticos
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domingo, 28 de março de 1999
Por Hélder Guimarães Especial para a Agência Estado 
Tóquio, 29 (AE) - A seleção brasileira de futebol desembarcou hoje em Tóquio, para a etapa seguinte da excursão do time à ásia
depois da derrota para a Coréia do Sul, por 1 a 0, no domingo. Em entrevista coletiva, logo após a chegada à capital japonesa, o técnico Wanderley Luxemburgo voltou a dizer que o resultado em Seul não abalou seu time. Ele insistiu, contudo, que o Brasil "poderia ter rendido mais", mas não apontou falhas específicas na equipe nem adiantou se pretende fazer mudancas na escalação para enfrentar o Japão quarta-feira, às 7 horas (de Brasília), no Estádio Nacional, com transmissão pela Rede Globo.
Sob um frio de oito graus e fortes ventos gelados vindos da Sibéria, a seleção de Luxemburgo desembarcou ao meio-dia e meia de hoje (madrugada no Brasil), no Aeroporto de Narita. Já no saguão de chegada, os jogadores foram cercados por torcedores japoneses, que disputavam autógrafos de seus ídolos. No mesmo vôo, de pouco mais de uma hora e meia, desde Seul, um grupo de crianças sul-coreanas festejou a presença dos jogadores em Narita. A forte presença da imprensa japonesa ainda fez parte da recepção à equipe, conhecida por muitos fãs pela palavra "seresson", do português "seleção", com pronúncia nipônica.
Logo após a saída de Narita, a 70 quilômetros do centro de Tóquio, a equipe e a comissão técnica seguiram para o Hotel New Otani - um dos mais luxuosos da capital. Pouco depois do registro e distribuição dos quartos de todo o 11.º andar aos jogadores, Luxemburgo participou de uma concorrida entrevista coletiva, cercada de muita expectativa pela imprensa japonesa.
Segundo o técnico, a seleção "merecia ter vencido" a Coréia. "A partida foi decidida num contra-ataque", justificou. De acordo com ele, a adaptação ao fuso horário "já não é mais problema" e não pode ser apontado como causa da derrota. O treinador não adiantou se pretende fazer alguma mudança contra os japoneses. "Só vou definir isso no treino de amanhã", disse.
Embora garantisse não pretender fazer segredo em torno da escalação do time para o jogo de Tóquio, Luxemburgo não confirmou se começa com Émerson no lugar de Juninho, no meio-de-campo, e se Fábio Júnior substitui Jardel, no ataque. Qualquer mudança, insistiu, só será anunciada após o treino, no próprio Estádio Nacional.
O técnico afirma conhecer bem dois jogadores adversários: Hidetoshi Nakata, de 22 anos, e o brasileiro, naturalizado japonês, Wagner Lopes, de 30 anos, que surgiu como Vaguinho nas divisões de base do São Paulo. Enquanto o primeiro é o único jogador japonês a "estourar" na Série A italiana, pelo Perugia
Lopes acaba de transferir-se para o Nagoya Grampus Eight, depois que seu antigo clube, o Hiratsuka Belmare, também foi forçado, pela crise econômica japonesa, a reduzir o salário e abrir mão de seus atletas.
De todo modo, para Luxemburgo, o mais importante hoje era o descanso dos jogadores, que, em sua maioria, preferiram ficar em seus quartos. Para alegria de jovens japoneses caçadores de autógrafo, que faziam plantão no saguão do New Otani - próximo ao jardim com as primeiras espécies de sakura (cerejeira em flor) da primavera -, Cafu e Amoroso foram as exceções. Ao contrário dos companheiros, eles optaram por caminhar pelos enormes corredores do hotel, esperando a hora do jantar e o "tempo certo de ir para a cama", tentando afastar as recaídas do cansaço provocado pelo fuso horário.


