A equipe BR Lubrax já está em pleno preparativo para a 12ª participação consecutiva no Rali Paris-Dakar, que este ano terá largada em Granada, na Espanha. A maior, mais tradicional e perigosa prova do gênero no mundo completa 21 anos.
Bicampeões do Rali dos Sertões (97/98), Klever Kolberg e André Azevedo iniciaram a tradição brasileira e conquistaram vários títulos. A maior novidade será André ao lado do checo Tomas Tomeck, na categoria Caminhões, com um Tatra, marca que já conquistou cinco vitórias, inclusive no ano passado. O time terá ainda Juca Bala, bicampeão de motos no Rali dos Sertões, com uma KTM 660. Na categoria Carros, Klever repete a dupla com o francês Pascal Larroque, com um Mitsubishi Pajero.
Em 90 com André e Klever, a equipe ficou com um segundo lugar na categoria motos acima de 600cc. Assim, tornaram-se os primeiros sul-americanos a completar a prova, proeza considerada impossível na época. Em 91, primeiro lugar na categoria Moto Maratona, na primeira vitória de um não europeu em uma categoria da competição. Em 93, um primeiro (bi) e um terceiro lugares na Moto Maratona e em 97 um primeiro (tri) e um segundo. No Paris-Dakar, a equipe conquistou ainda o segundo e quarto (94) e o quinto (98) na Maratona/Carros.
Em 95, segunda colocação na Motos Maratona no Rali Paris-Moscou-Pequim. Somando todas as participações, são quase dois anos e 200 mil quilômetros em trilhas e desertos de quatro continentes (Europa, África, Ásia e América).
E não faltam histórias interessantes nesta competição. Além dos obstáculos comuns como o frio, a fome, o calor, e o cansaço, André e Klever já cruzaram com ladrões do deserto, contrabandistas, tuaregues rebeldes e situações de guerra. Os brasileiros estavam em Trípoli, capital da Líbia, quando os porta-aviões norte-americanos preparavam o bombardeio da cidade para destruir fábricas de armamento químico de Muamar Kadafi. Passavam pela Mauritânia, país simpatizante do Iraque, no dia que começou a Guerra do Golfo, quando forças ocidentais, lideradas pelos Estados Unidos, agiram em retaliação à invasão do Kwait pelas tropas de Sadam Hussein. Histórias que já renderam dois livros.
Este ano o rali larga em Granada, na Espanha, no dia 1º de janeiro e passa por Marrocos, Mauritânia, Mali, Burkina Fasso e Senegal, até a chegada em Dakar, no dia 17. Estarão participando 400 equipes, envolvendo 1.800 pessoas na caravana do rali. Como o percurso é secreto, para dificultar ainda mais a prova, não são permitidos treinos, reconhecimentos ou estabelecimento de bases avançadas de apoio.

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