Atenas - A seleção brasileira masculina de vôlei venceu ontem os Estados Unidos nas semifinais dos Jogos de Atenas, por 3 sets a 0, e se classificou para uma decisão olímpica pela primeira vez desde Barcelona-1992, quando conquistou seu único ouro. As parciais foram de 25/16, 25/17 e 25/23.
Os norte-americanos eram os únicos que haviam vencido o time brasileiro na competição, ainda na primeira fase, quando o Brasil já estava classificado para os mata-matas e com o primeiro lugar na chave garantido.
Com o resultado, a seleção brasileira fará na final, amanhã, às 8h30 (de Brasília), um clássico contra a Itália, que ontem bateu a Rússia na outra semifinal também por 3 a 0.
Esta será a terceira vez em 40 dias que os dois tradicionais times estarão frente à frente. No último confronto, na primeira fase de Atenas, os brasileiros venceram por 3 a 2, em um jogo emocionante, com quase duas horas de duração.
Antes, no dia 18 de julho, as duas equipes decidiram o título da Liga Mundial, em Roma. Com uma vitória por 3 a 1, a seleção brasileira confirmou sua hegemonia foi o quarto título do País na competição e se credenciou como a principal favorita na Olimpíada.
O time brasileiro, atual campeão mundial conquistou a competição em 2002, na Argentina , já acumula 11 títulos com o técnico Bernardinho no comando. Desde a chegada do treinador, em 2000, o time disputou 15 torneios (incluindo a Olimpíada de Atenas) e só não chegou à final de um (o Pan-03).
Bernardinho O treinador afirmou que, por causa da odisséia olímpica, está há três dias sem dormir. ''Nenhuma hora de sono nessas três noites. Zero, zero, zero. E até a final não vou dormir nada'', disse o técnico. ''Deito cansado, mas não consigo dormir e levanto. Fico pensando, vou ler.''
O treinador brasileiro disse que passará o dia de hoje analisando vídeos da Itália, em especial o da semifinal em que o rival atropelou por 3 a 0 a Rússia e o entre as equipes na primeira fase, vencido pelo Brasil de forma épica por 3 a 2.
A partida foi marcada por provocações italianas, principalmente pelo levantador Vermiglio, que irritou o oposto Anderson e o ponta e capitão Nalbert.
O treinador não o perdoou e ainda lançou provocação. ''Se ele for xingar tem que tomar cuidado. De Vermiglio para coniglio (coelho, em italiano), é muito pouco. Vai correr na hora do vamos ver. Aí se esconde atrás do time'', disse Bernardinho. ''É ótimo jogador, mas é antipático, ninguém gosta dele, nem no próprio time. Ele que não olhe para mim.''
Ricardinho Primeiro diagnóstico: Ricardinho é o cérebro, quem consegue analisar todas as possibilidades e escolhe o melhor para o time. Segundo diagnóstico: ele também é pura emoção, capaz de alavancar os companheiros durante os jogos.
É assim, com sintomas mistos de frieza e comoção, que o levantador do Brasil saiu de quadra ontem como o destaque da vitória sobre os EUA.
Mais: ele também ratificou seu posto de melhor da posição em Atenas e arrancou elogios do técnico Bernardinho. ''O Ricardo é o cérebro da equipe, mas um cérebro diferenciado. Ele carrega também uma grande carga de emoção, sem perder a capacidade de raciocinar rápido'', diz o técnico.

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