A seleção brasileira de Wanderley Luxemburgo conseguiu na manhã de ontem o que parecia impossível: perder um jogo na prorrogação para um time com apenas nove jogadores em campo. O Brasil foi derrotado por 2 a 1 por Camarões, nas quartas-de-final, e está fora do torneio masculino de futebol dos Jogos Olímpicos.
Com a desclassificação, o técnico do Brasil deve perder o cargo, já que a seleção principal também faz campanha irregular nas Eliminatórias para a Copa do Mundo-2002. Foi uma atuação péssima do time brasileiro, a pior na Olimpíada de Sydney.
Nas outras partidas, o Chile goleou a Nigéria por 4 a 1, a Espanha fez 1 a 0 na Itália e os EUA eliminaram o Japão nos pênaltis (5 a 4) após empate por 2 a 2. As semifinais, que acontecem às 6 horas do dia 26, serão Chile x Camarões e EUA x Espanha.
Favorito, apesar de abatido pela derrota frente à África do Sul (3 a 1) e pela atuação ruim na partida contra o Japão, quando conquistou a classificação ao vencer por 1 a 0, o time brasileiro começou o jogo de ontem atacando.
A melhor chance brasileira no primeiro tempo aconteceu aos 12min. Fabiano, dentro da área, recebeu belo passe de Ronaldinho. O meia do Brasil, no entanto, chutou mal na saída do goleiro camaronês, que fez a defesa.
A seleção de Camarões não demorou para responder. E foi mais eficiente. Aos 16min, em um lance controverso, o árbitro marcou toque de mão de Fabiano, na intermediária. O meia Mboma, canhoto, bateu forte no canto alto esquerdo do goleiro Hélton: 1 a 0 para Camarões.
Em desvantagem no placar, a seleção brasileira pressionou durante dez minutos, mas não conseguiu o empate. O time se descontrolou, começou a abusar das faltas e não acertava passes.
A seleção de Camarões, então, resolveu arriscar de fora da área. Aos 29min, Eto’o bateu forte e a bola passou raspando a trave de Hélton.
Para o segundo tempo, Luxemburgo trocou Athirson pelo atacante Roger, e Fábio Bilica por Lúcio. Fábio Aurélio foi recuado para a lateral.
A exemplo do que havia acontecido no início da partida, logo no primeiro minuto da segunda etapa o Brasil demonstrou disposição para buscar a vitória. Roger acertou o travessão do goleiro camaronês.
Conforme o tempo ia passando, os jogadores do Brasil sentiam a pressão e substituíam a disciplina tática pelo tudo ou nada, com bolas alçadas na área e jogadas individuais.
Aos 30min, um alento para o Brasil. O camaronês Geremy Njitap foi expulso por atrasar uma reposição de bola. Com um jogador a mais, o Brasil ensaiou aumentar a pressão sobre o time africano, mas continuou esbarrando no preciosismo de seus meio-campistas e atacantes.
Nos acréscimos, Alex recebeu lançamento e, quando ia invadir a área, foi derrubado por Nguimbat, que foi expulso. Ronaldinho bateu no canto esquerdo do goleiro e levou o jogo para a prorrogação, com o sistema de morte súbita.
No início da prorrogação o Brasil repetiu a dose e quase marcou o ‘‘gol de ouro’’ no primeiro minuto.
Aos 4min, aconteceu a jogada mais surpreendente do jogo. Sozinhos na área, Fabiano e Roger ‘‘furaram’’ na hora de tocar a bola para o gol vazio de Camarões. Cinco minutos depois, Fabiano marcou na saída do goleiro, mas o bandeirinha apontou impedimento – inexistente.
Aos 18min, no segundo tempo da prorrogação, Geovanni, sozinho, chutou no travessão. Após tantas oportunidades perdidas, o Brasil sofreu o ‘‘gol de ouro’’, marcado por Mbami.

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