Brasil 1 quer espantar maré de azar na Volvo Ocean Race
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domingo, 12 de fevereiro de 2006
Das Agências 
Melbourne - Os tripulantes do Brasil 1 não fazem tanta questão de sorte. O que eles não querem de jeito nenhum na disputa da terceira etapa da Volvo Ocean Race, a mais tradicional regata de volta ao mundo, é azar. Afinal, o primeiro barco nacional a disputar a competição enfrentou diversos contratempos na segunda perna, entre Cidade do Cabo, na África do Sul, e Melbourne, na Austrália, e todos querem esquecer os problemas e velejar.
O barco azul e amarelo partiu de Melbourne, na Austrália, para Wellington, na Nova Zelândia, aos 15 minutos da madrugada de ontem no horário de Brasília. O trecho, de 1.450 milhas náuticas (cerca de 2.600 km), deve ser completado em pouco mais de três dias e meio. E é considerado ideal para marcar a recuperação do time após os danos estruturais e a quebra do mastro na segunda perna e a falha hidráulica da regata local do dia 4.
Ventos fracos de nordeste, variando entre 5 e 7 nós, marcaram a largada da flotilha, agora com seis barcos (o australiano Brunel não saiu de Waterfront City, onde os veleiros estavam ancorados). O Brasil 1 largou em quinto lugar e, com 15 minutos de regata, já estava em primeiro, posição que ocupou por quase cinco horas. No boletim das 8 horas de ontem, horário de Brasília, o ABN Amro One/ HOL ocupava a liderança, seguido do Piratas do Caribe/EUA. O Brasil 1 estava em terceiro, a apenas três milhas náuticas do primeiro colocado.
Antes da largada, a expectativa da tripulação brasileira era muito grande. Não é de sorte que estamos precisando. Acho que se não tivermos azar já vai ser ótimo. Somos competitivos e o barco é rápido. Se nada atrapalhar, já estaremos con-tentes, disse, sorridente, o comandante Torben Grael.
Para garantir que a maré de azar vá embora, o time não poupou esforços. Os pais de Marcelo Ferreira, parceiro de Torben na classe Star que cedeu seu lugar na tripulação para a entrada do diretor técnico Horacio Carabelli, trouxeram uma garrafa de cachaça mineira e despejaram no barco. Fitinhas do Senhor do Bonfim chegaram de torcedores do Brasil 1 e foram colocadas no barco. E, no sábado, o padre Robert McGuire benzeu o veleiro. Não estamos pedindo sorte. Apenas não queremos mais azar, garante o norueguês Knut Frostad.


