São Paulo - Maior surpresa das semifinais do Campeonato Paulista, o Bragantino escapou da morte há três anos com uma política pouco convencional. Acabou com as categorias de base, reduziu drasticamente a folha de pagamento do futebol e não segura seus jogadores com propostas de outras agremiações. Essa foi a alternativa encontrada pela família Chedid para evitar o fechamento das portas do clube e para voltar a ter algum destaque no Estado.
Na semifinal, curiosamente, o Bragantino enfrenta o treinador que pôs pela primeira vez o time na vitrine, no fim dos anos 80 e início dos anos 90: Vanderlei Luxemburgo.

O treinador, na ocasião, não era famoso, usava cabelo estilo ''black power'', camisas pouco elegantes e óculos fora de moda. Hoje, conhecido pela competência e pela elegância de seus ternos, é o principal treinador do futebol brasileiro. E, com o Santos, tenta derrubar a ameaça vinda de Bragança.

O momento alegre contrasta com os últimos 15 anos de agonia, crise financeira e problemas entre os familiares que comandam o clube. Depois de conquistar o Paulista de 90, com Luxemburgo, e ficar com o vice-campeonato do Brasileiro de 91, com Carlos Alberto Parreira, o clube iniciou fase de decadência.

O clube, depois de quase fechar as portas, trouxe o técnico Marcelo Veiga no fim de 2004, pôs fim ao futebol de base e passou a apostar em jogadores pouco aproveitados por outras equipes. Marcelo Veiga obteve sucesso. Em 2006, o treinador - considerado ''o Luxemburgo da nova geração'' pela diretoria - levou a equipe ao vice-campeonato da Copa Federação Paulista de Futebol. ''Não vale mais a pena investir em categorias de base, porque os empresários chegam e levam os atletas embora'', afirma o presidente Marco Chedid, 49 anos.

A folha de pagamento do elenco profissional é de apenas R$ 75 mil mensais. As receitas saem das cotas de televisão, das bilheterias e de algumas negociações - no ano passado, o Bragantino vendeu os direitos de dois jogadores para a Moldávia por US$ 120 mil cada. Mas boa parte do dinheiro sai da família Chedid, que sofreu abalo com a morte de Nabi Abi Chedid, ex-vice-presidente da CBF e da Federação Paulista de Futebol, no ano passado.

Caso eliminem o Santos na semifinal (precisam vencer o jogo de hoje), os atletas dividirão R$ 500 mil referentes à premiação. O que renderá cerca de R$ 20 mil para cada um, ou quase sete vezes a média salarial, de R$ 3 mil por atleta.

Anos de sofrimento - Em 1993, depois de alguns anos de sucesso, os irmãos Jesus e Nabi Abi Chedid romperam relações. Jesus ficou na presidência, e Nabi se afastou do poder, ao lado do filho, Marco, hoje presidente. Em 96, o Bragantino foi rebaixado no Paulista, acumulou dívidas e não conseguiu manter em bom estado o Estádio Marcelo Stéfani. Jesus saiu do clube. Dois anos depois, o time caiu também no Brasileiro.

Marco assumiu a gestão e, em 2004, viu a crise chegar ao auge. ''Quase fechamos as portas'', conta. Não tinha time - jogou a Série A-2 do Estadual com atletas emprestados por Santos e Palmeiras.

A recuperação parecia impossível, mas aconteceu. A meta, em 2007, além de tentar surpreender na reta final do Campeonato Paulista, é conseguir o acesso da Série C para a B do Brasileiro.

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