Ela não é a "mulher maravilha", mas pode ser considerada uma heroína. Afinal, possui braços de aço, capazes de levantar muito mais de 100 quilos. A para-atleta Marcia Menezes, que sempre foi motivo de orgulho e exemplo de superação para Londrina, competirá na categoria até 86 kg nos Jogos Paralímpicos do Rio, onde espera estar com as cores verde e amarelo no ponto mais alto do pódio.
Marcia teve poliomielite ainda na infância, quando perdeu os movimentos da perna direita e encontrou no esporte uma forma de superar os limites físicos. Atleta de halterofilismo há quase uma década, a londrinense de 47 anos ajusta os detalhes nos treinamentos para garantir a medalha dourada. "Força, treinos diários e foco total. São treinos de segunda à sexta-feira, das 9 horas ao meio-dia. Alternando treinos técnicos e acessórios", lembra a halterofilista durante o intervalo da preparação.
A oportunidade de participar da maior celebração dos esportes surgiu após Marcia levantar 116 kg, índice que garantiu a vaga para o Rio. "Optamos pela categoria 86 kg. Também tinha índice para disputar a categoria até 79 kg, mas na 86 kg a chance de brigar pelo pódio é maior. Existe toda uma estratégia feita pelo meu técnico (Valdecir Lopes) e estou treinando muito para brigar pelo pódio."
Desde 2014, Marcia integra a Seleção Brasileira de Halterofilismo. Os treinamentos ocorrem em Itu (SP), no Centro Brasileiro de Referência da modalidade. O convite chegou após ela conquistar o bronze no Campeonato Aberto da Hungria e no Mundial de Dubai, em 2014. A londrinense foi a primeira medalhista brasileira na competição.

DEDICAÇÃO

Esta não será a primeira Paralimpíadas que ela participa. Há quatro anos, representou o Brasil em Londres. "A primeira participação foi um sonho, a segunda já tem um gosto de realidade. Foco no objetivo", explicou a halterofilista. "Todas as competições são importantes e nessa vou ficar mais concentrada do que nas outras, pois tenho uma missão a cumprir", afirma Marcia. Já sobre a possibilidade de trazer uma medalha para Londrina, ela garante dedicação total. "O que posso prometer é que vou brigar e lutar muito pelo pódio", responde.
Marcia menciona também os países mais fortes, a serem superados na competição. "Nigéria, Egito e China são os países mais fortes na minha categoria. Mas quando estou competindo, vejo a barra (de peso) como a minha maior adversária. Coloco toda a raiva para não permitir que ela me vença", destaca.
Além de brilhar em eventos no Brasil, a para-atleta possui currículo internacional vitorioso. Ela foi quinto lugar no Parapan de Guadalajara (México), em 2011, sexto nas Paralímpiadas de Londres (Inglaterra), em 2012, bronze no Mundial de Dubai, em 2014. Marcia foi recordista brasileira e das Américas, após levantar 116 kg na barra em 2014.

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