BRAÇADAS VITORIOSAS - Exemplos de superação e determinação
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quinta-feira, 28 de setembro de 2006
Jaime Kaster<br> Reportagem Local 
A família Bartolomeu, de Londrina, teria tudo para reclamar da vida. Com dois portadores de deficiência em casa - um deles ficou tetraplégico após um acidente de trânsito em 1991 -, os integrantes da família teriam motivos de sobra para estarem desanimados e sem esperanças de dias melhores, afinal sobrevivem com uma renda de R$ 800 por mês, proveniente de duas aposentadorias por invalidez.
Porém, não se deixaram abater e hoje são um exemplo de determinação não só para outros portadores de deficiência, mas principalmente para as demais pessoas que têm braços e pernas sadios e vivem a praguejar ao menor sinal de uma adversidade.
As mudanças na família de Domingos Bartolomeu, 66 anos, começaram em 1979, quando ele teve o braço direito amputado após um acidente numa máquina de processamento de rami, na extinta indústria Toyo Sen, em Londrina. Precisou parar de trabalhar, mas seguiu ajudando a família como pôde.
Porém, o pior viria em 1991, quando o filho Claudines sofreu um acidente de moto e quase não sobreviveu. A data ele nunca mais esqueceu: ''Era dia 12 de outubro. Um carro cruzou a preferencial e eu entrei embaixo do veículo. Fiquei um mês e dois dias hospitalizado e quando saí estava tetraplégico. O médico na época disse que eu praticamente iria viver em uma cama, vegetando'', relembra Claudines. Seu caso era grave: havia lesionado a quinta e a sexta vértebras e perdeu todos os movimentos dos braços e pernas.
Porém, seus pais não se entregaram. A mãe, Maria Helena, hoje com 59 anos, e o pai não pouparam esforços para levá-lo quase que diariamente à fisioterapia e à hidroterapia, conforme recomendação dos especialistas Jeferson Cardoso e Rui Moreira, de Londrina. Foi uma época em que Claudines precisou contar com a ajuda permanente dos três irmãos, de cunhados e até de vizinhos, afinal não tinham carro e seu pai não dirigia.
''Foi uma época em que cortamos até a despesa com comida para poder pagar o tratamento dele. Lembro que os vicentinos da igreja nos ajudaram um bom tempo com cesta básica. Mas quando vimos que não precisávamos mais, falamos para eles ajudarem outras famílias'', lembra o pai.
Sem constrangimento, Seo Domingos passou a recolher latinhas e material reciclável nas ruas, atividade que exerce até hoje. ''O pessoal me pára na rua e fica com dó porque não tenho um braço. Até me oferecem comida e cobertor, mas não aceito porque estou trabalhando e não preciso'', salienta.
A evolução de Claudines foi acontecendo aos poucos e, em 1993, tomou coragem de participar de seu primeiro Campeonato de Natação para Deficientes, em Recife. ''Fui com medo, pois para tudo ainda precisava que alguém me carregasse. Mas quando cheguei lá, vi 400 caras cheios de lesões e alguns em situação bem pior que a minha, pois haviam tido paralisia cerebral. Aquilo foi um choque para mim, pois acordei para a vida e passei a olhá-la com outros olhos'', conta o nadador, que junto com o pai, hoje integra a equipe da Associação dos Deficientes Físicos de Londrina (Adefil).
O pai, inclusive, começou a nadar, em 2000, depois de acompanhar os bons resultados do filho nas piscinas. Na última etapa do Circuito Paraolímpico, disputada em Porto Alegre, Seo Domingos conquistou duas medalhas de bronze, nos 100m livre e nos 100m costas.


