Boxeadora faz as pazes com técnico
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quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Agência Estado 
São Paulo - Entre uma e outra sessão de golpes no saco de areia da academia do Clube Escola Joerg Bruder, em São Paulo, Roseli Feitosa dá um retoque na maquiagem. Duas equipes de reportagem a fotografam. E não é para menos. Seus passos - e seus tropeços -são acompanhados mais de perto pela imprensa desde que saiu do anonimato, em setembro de 2010, ao conquistar o título do Mundial de Boxe Amador, em Barbados, na categoria até 81kg, que não é olímpica.
A decepção veio nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, na categoria até 75kg, que faz parte do programa dos Jogos Olímpicos. No México, em outubro passado, a pugilista paulistana até conquistou um bronze - mas sem vencer uma única luta. Como havia apenas sete lutadoras inscritas e ela se deu bem no sorteio, Roseli estreou apenas na segunda rodada. Ainda perdendo, ficou entre as quatro melhores. No boxe não há disputa de bronze e, mesmo constrangida, a brasileira subiu ao pódio.
Foi um bronze amargo. Depois da derrota, seu treinador, Cláudio Aires, a acusou de não estar treinando. Ela admitiu que realmente não treinava, mas disse que preferiu não fazê-lo porque ele não sabia dar treino. E pior: o acusou de ter abusado da bebida durante uma competição no Casaquistão.
Segundo boxeadores que frequentam o Clube Escola, Cláudio Aires já não apresenta problemas com a bebida. A mulher dele, que é evangélica, teria contribuído para isso.
O importante a destacar, segundo Cláudio Aires, é que os dois conversaram e concordaram em voltar a trabalhar juntos. Roseli havia chegado a pensar até em abandonar a carreira esportiva. ''Nós nos tratamos como profissionais. Falamos algo que não deveríamos durante o Pan, mas nosso relacionamento agora é bom. Nosso objetivo é o mesmo: a Olimpíada'', diz ele.
Roseli vai tentar uma das oito vagas olímpicas em disputa na única competição classificatória para os Jogos de Londres, que será o Mundial de Qinhuangdao, na China, em maio.
A boxeadora está mais satisfeita agora no ginásio do Bruder. ''Havia muitas coisas erradas aqui. Teve que acontecer aquilo no Pan para que passassem a ouvir mais os atletas'', diz Roseli, que encontrou uma maneira de se entender com Cláudio Aires. ''Ele fala e eu obedeço, porque ele é meu superior. Fora dos treinos, é ele na dele e eu na minha.''


