‘‘Formar cidadão. Ser campeão é a exceção’’. Quem diz isto é um dos idealistas do esporte amador londrinense, Miguel de Oliveira, paranaense da Lapa, e que está há 25 anos na direção do boxe local. Ele foi lutador quando servia a Marinha. A sua despedida aconteceu num combate de exibição em 1976, no Moringão.
De lá para cá, Miguel de Oliveira enfrentou muitas dificuldades com a modalidade, mas hoje apesar de tudo, ela continua sendo uma opção para quem deseja apenas praticar o esporte ou para seguir carreira.
As aulas são de segunda a sexta-feira na academia do Londrina Esporte Clube, embaixo da geral do estádio Vitorino Gonçalves Dias. Para o praticante não basta apenas a vontade, dependendo da faixa etária - até os 18 anos, tem que estar estudando. As dificuldades existem diz Miguel. Os atletas que integram a equipe de competição não pagam nada, enquanto que os demais, os chamados iniciantes pagam uma mensalidade. ‘‘Cada caso é um caso’’, diz. Para compensar, o boxeador não precisa pagar nada. Segundo Miguel, ‘‘ se você olhar dois boxeadores num ringue, trocando golpes, cada um custa, no mínimo, R$ 600,00’’, disse. A sapatilha, R$ 180,00, e as luvas R$ 155,00 são os ítens mais caros. ‘‘Só não damos a bandagem e o protetor de boca, que são objetos pessoais‘, acrescenta. Hoje cerca de 150 pessoas, entre homens e mulheres, fazem aula com Miguel de Oliveira e alguns auxiliares.
VerbaNo início do ano, a Fundação Municipal de Esportes informou que o projeto com a maior pedida financeira era o do boxe, cerca de R$ 488 mil. Quando houve a definição da distribuição do dinheiro, dentro da lei de incentivo ao esporte amador, a história foi outra. Dentro de uma pedida de R$ 39 mil para 12 meses, coube ao boxe R$ 25 mil para 8 meses. Este dinheiro é para a compra de uniforme, disputa de torneios e pagamento de atletas (equipe principal) e comissão técnica.
Miguel disse que recebe o apoio de uma série de empresas, mas que pretende uma reunião com a direção da Fundação Municipal de Esportes para ‘‘ ver se consegue um apoio da Sercomtel’’.
Sobre a diferença de atração para o público, Miguel defende a tese que ‘‘o basquete e o vôlei recebem um bom público, porque é a nata das modalidades, com atletas de no mínimo 1,80 metro. Já o público do boxe gosta de ver apenas pesos-pesados, o que não é possível, pois existem outras categorias’’.
Miguel frisou que os alunos que frequentam a sua academia vão de um garoto de 12 anos, Ronaldo Mozorosuka, a profissionais liberais, como a advogada Tatiane Yokozawa. Miguel também frisou que apesar de ‘‘ser um esporte rude ecruel, é raro o boxeador se machucar’’. Segundo ele, já teve lutador que parou de praticar a modalidade ‘‘ devido a contusão jogando futebol’’. Sobre a ausência dos Jogos Abertos - esteve apenas em 1984 (Londrina) e 1986 (Paranaguá), Miguel disse que ‘‘apesar dos títulos conquistados nestas duas edições, a alegação da extinta Ametur foi a de falta de verba’’, frisou.

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