BOXE AMADOR - Sem fama e dinheiro, modalidade fascina pugilistas
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sábado, 03 de setembro de 2005
Jaime Kaster<br> Reportagem Local 
O boxe amador não dá dinheiro e nem a fama do boxe profissional, mas por motivos diversos é um esporte que ainda desperta o fascínio em muitos adolescentes e adultos de todas as classes sociais. Os mais velhos talvez mantenham a curiosidade pelo ringue influenciados por imagens que ficaram gravadas no cimena, em filmes como ''O Campeão'' (1979), de Franco Zefirelli; ''Rocky'' (1976), de John Avildsen e Sylvester Stallone; e ''Touro Indomável'' (1980), de Martin Scorsese. Outros praticam o boxe como condicionamento físico ou para emagrecer (idéia compartilhada pelas mulheres). Já os jovens e adolescentes se dedicam ao esporte movidos pela finalidade básica do boxe de competição: derrubar o adversário e ganhar títulos.
Em Londrina, já passaram pela lendária academia do Londrina Esporte Clube (LEC) que desde 1995 está instalada embaixo da arquibancada do Estádio VGD (antes, de 1980 a 1994, funcionou na Rua Sergipe) atletas que se tornaram figuras ilustres da cidade. Alguns exemplos são o deputado estadual Barbosa Neto e o vereador Orlando Bonilha este último treinou quando tinha 14 anos e participou do primeiro campeonato nacional na categoria infantil, promovido pela Federação Paulista de Pugilismo. Outro que ainda pratica é o engenheiro agrônomo Fernando Barros, irmão do vereador Henrique Barros.
Fora eles, há também muitos anônimos, pessoas comuns, estudantes e trabalhadores que vão até a academia para suar e aperfeiçoar os golpes do esporte mais conhecido do ringue. ''Não existe mais preconceito em se praticar boxe. Tenho aqui rapazes e moças, atletas que participam de competições e os que são maioria, que vêm para perder peso ou manter a forma'', afirma o técnico da equipe do LEC, Miguel de Oliveira. Ele calcula que nos últimos dez anos mais de mil atletas tenham passado pelo local.
O treinador se dedica há 30 anos ao boxe londrinense. Começou em 1975, como auxiliar do sargento Maurício Agostinho Pereira, técnico da primeira academia da cidade, a da Rádio Patrulha, que funcionava na Rua João Cândido. Depois surgiu, em 1977, o Esporte Clube Vila Nova, que existe até hoje e é parceiro da academia do LEC, fundada em 1980, por Miguel de Oliveira.
Entre os seus discípulos, um dos mais fiéis é o pugilista Edílson Augustinho Pereira, 28 anos, campeão brasileiro dos meio-pesados (81 quilos) em 2001. Ele treina com Oliveira há 11 anos e de aluno da academia passou a instrutor.
Outro que pretende seguir o mesmo caminho é Maicon Luiz Veríssimo, o Vila, 23 anos, campeão paranaense em 2003 e 2004 na categoria meio médio-ligeiro (64 quilos). Ele descobriu o boxe por meio de um amigo e nos últimos anos vem dividindo o seu tempo entre os treinamentos e o trabalho como ajudante de pedreiro e pintor. No momento, Vila está treinando de manhã e à tarde para a Copa Centro-Oeste de Boxe, que será realizada de 14 a 17 deste mês, em Campo Grande, e que terá a presença de pugilistas de dez estados.


