Rio, 01 (AE) - O presidente do Conselho Deliberativo do Botafogo, Carlos Augusto Montenegro, admitiu fazer um acordo com o Gama, desde que o clube brasiliense desista de lutar por seus direitos na Justiça Comum. "A partir do momento que eles retirarem a ação, tudo é possível" afirmou. Segundo o dirigente, o Gama pode ser o maior prejudicado pela sua atitude. "Eles podem ser punidos pela Fifa."
O presidente interino da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Alfredo Nunes, não havia recebido até o fim da tarde nenhuma intimação da 21.ª Vara Federal de Brasília. Mais uma vez
o dirigente negou-se a comentar a liminar conseguida pelo Gama - que determina a reintegração do clube brasiliense à Série A do Campeonato Brasileiro.
Mesmo quando a liminar chegar à CBF, a entidade não deverá ter problemas imediatamente, pois não há nenhuma reunião do Conselho Técnico dos clubes da Série A prevista para os próximos meses. Enquanto não houver nada que comprove o rebaixamento do Gama, não estará caracterizado o descumprimento da decisão da Justiça Comum.
A cassação da liminar, no entanto, não será tão fácil quanto previa hoje o diretor-jurídico da CBF, Carlos Eugênio Lopes. Isso porque a CBF terá de apresentar fatos novos para justificar a anulação da decisão do juiz Rubens Martinez Cunha.
O vice-presidente do Gama, Agrício Braga, acredita que as ameaças do Botafogo-RJ de formar uma liga independente, incluindo o Vasco da Gama, não passam de especulação. "Tudo isso é mera especulação, já que até agora esta liga nem saiu do papel; eles estão falando as coisas com a cabeça quente", afirmou. "A CBF, ao invés de ficar tomando partido, deveria atuar como mediadora entre as equipes", disse. "Em nenhum momento o Gama quis prejudicar o Botafogo-RJ; os dirigentes deveriam ser mais racionais e deixar a parte sentimental de lado." Segundo o dirigente, o momento é propício para uma reunião entre representantes do time de Brasília com os cariocas.

mockup