Botafogo espera lucro com Engenhão
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terça-feira, 01 de fevereiro de 2011
Bruno Lousada<br>Agência Estado 
Rio - O excesso de jogos pode não ser o ideal para conservar o gramado do Engenhão, mas é bom para o bolso do Botafogo. A diretoria alvinegra espera lucrar pelo menos R$ 4 milhões neste ano com o estádio, principal palco do futebol carioca até o fim de 2012, data prevista para o término das obras de reforma do Maracanã para a Copa do Mundo de 2014.
Sem ''casa'', Flamengo e Fluminense firmaram parceira com o Botafogo para usar o Engenhão. A dupla Fla-Flu assinou um termo de fidelização, que consiste na participação dos clubes na receita dos bares e do estacionamento. ''É um acordo bem equilibrado e bom para todo mundo'', disse o diretor-executivo do Botafogo, Sérgio Landau.
Além da despesa operacional, que pode chegar a R$ 35 mil, a diretoria rubro-negra e a tricolor pagam R$ 5 mil por jogo pelo aluguel do estádio, erguido com dinheiro público (cerca de R$ 400 milhões) para os Jogos Pan-Americanos de 2007. Depois da competição, a prefeitura do Rio de Janeiro concedeu para o Botafogo a administração do Engenhão por 20 anos.
Se o estádio, em 2008, deu prejuízo de R$ 1,7 milhão para o clube alvinegro, com Ronaldinho Gaúcho e Conca em ação, aliado à maior visibilidade da arena, a expectativa é de alto faturamento. Até o preço dos 68 camarotes subiu. Se antigamente cada um era vendido por R$ 60 mil por ano, atualmente vale R$ 280 mil. E todos estão ocupados.
''As empresas estão nos procurando mais. Estamos perto de fechar dois grandes contratos de patrocínio para explorar setores internos do estádio com publicidade e merchandising'', afirmou Landau. Para melhorar o atendimento ao público, o Botafogo fechou, desde 2009, acordo com oito empresas de alimentação. ''Há dois anos, contratamos uma empresa terceirizada para reduzir os custos de manutenção, que passaram de R$ 700 mil para R$ 450 mil por mês. O Engenhão é superavitário. Temos um projeto de realizar eventos (como shows) aqui. Depende apenas do calendário'', comentou Landau.
Nos últimos meses do ano passado, com a interdição do Maracanã, o campo do Engenhão virou alvo de críticas. Para evitar que isso se repita em 2011, pois estão previstos cerca de 90 jogos no estádio ao longo da temporada, a diretoria alvinegra contratou, em dezembro, o engenheiro agrônomo Artur Jorge de Melo, especialista em gramados.
Pois o ano mal começou e o técnico Muricy Ramalho já alertou os responsáveis pelo estádio. ''É melhor darem atenção ao gramado, pois está ficando desgastado'', avisou o treinador depois da vitória do Fluminense sobre o Macaé por 3 a 1, na última quinta-feira.
A diretoria alvinegra já acendeu o sinal de alerta quanto ao tema. Ainda mais com a recente medida da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj) de transferir partidas de estádios menores para o Engenhão, algo que não estava previsto no começo do campeonato. Tal medida afeta o planejamento elaborado pelo engenheiro agrônomo e eleva a preocupação de todos no clube.
Em nota oficial, divulgada na última semana, o presidente do Botafogo, Mauricio Assumpção, alertou o presidente da Ferj, Rubens Lopes, a presidente do Flamengo, Patrícia Amorim, e o presidente do Fluminense, Peter Siemsen, para a ''sobrecarga'' no gramado do Engenhão. ''Recomendo a transferência de todo e qualquer jogo não programado anteriormente para o Engenhão para seus estádios de origem, senão não haverá como mantermos o gramado em condições'', relatou o engenheiro agrônomo no laudo técnico enviado a Rubens Lopes. Por meio de sua assessoria, a Ferj informou que vai prevalecer o bom senso.


