Botafogo empata e acusa o árbitro
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domingo, 26 de outubro de 1997
Sebastião Reis Agência Estado 
Dirigentes invadindo o campo, gritos, ofensas e ameaças de agressão ao árbitro marcaram o dramático fim do jogo em que o Botafogo empatou com o Paraná, por 0 a 0, ontem, no Estádio Caio Martins, resultado que praticamente eliminou o time carioca do Campeonato Brasileiro. O presidente do Botafogo, José Luís Rolim, e o ex-presidente Carlos Augusto Montenegro, além de outros dirigentes do clube, tentaram partir para cima do árbitro baiano Lourival Lima Filho após a partida. Mas a verdade é que o time não jogou para merecer uma vitória frente aos paranaenses.
Um torcedor, que se identificou como Patrick, entrou no campo e só não agrediu o árbitro, porque foi contido pelos policiais. Depois, levado para a sala de imprensa, disse que foi espancado. Levei chutes e socos, quando já estava algemado. Os dirigentes do Botafogo incentivaram a atitude do torcedor. Ele não ia agredir, não ia fazer nada demais, apesar de o árbitro merecer, disse José Luis Rolim aos policiais. Se tiver que prender, prende todo mundo, porque todo mundo tentou agredir, reforçou Carlos Augusto Montenegro.
Os dirigentes reclamaram, entre outras coisas, de um lance
em que o zagueiro Eleomar tocou involuntariamente com o braço na bola. O trio de arbitragem deixou o campo protegido. Não estou entendendo nada disso, comentou o árbitro, assustado. Mais sereno, o meia Pingo, do Botafogo, deu um exemplo aos dirigentes. Não adianta fazer nada disso; a gente devia era ter marcado gol.
O Botafogo jogou mal. O time teve problemas para segurar Mazinho Loyola e Osmar no primeiro tempo. Os dois jogadores encontraram facilidade para trocar passes e organizar as jogadas de ataque do Paraná. Logo aos 4 minutos, Osmar entrou pela esquerda e mandou a bola no travessão. Aos 7, foi a vez de Denilson assustar o goleiro Vágner com um chute forte. Osmar teve outra chance para marcar, aos 23 minutos. Ele recebeu a bolas nas costas de Jorge Luís, entrou livre e, mais uma vez, chutou na trave.
Confuso no ataque e desarticulado na defesa, o Botafogo
deixou o técnico Carlos Alberto Torres tenso. Se a gente não melhorar muito, não vai ganhar esse jogo, constatou o treinador, preocupado. Mesmo com três centroavantes (Robson, Sinval e Bentinho), o time carioca não apresentou a força de ataque esperada.FICHA TÉCNICA
Botafogo 0
Vágner; Wilson Goiano, Jorge Luís, Gonçalves e Rossato; Pingo, Djair, Aílton; Bentinho (Reinaldo), Robson (Zé Carlos) e Sinval (Tico Mineiro). Técnico: Carlos Alberto Torres.
Paraná 0
Régis; Denilson, Eleomar, Fabiano e Ednelson; Reginaldo, Sidnei, Vital e Bira; Mazinho Loyola e Osmar (Rafael e depois Gauchinho). Técnico: Cláudio Duarte.
Árbitro: Lourival Lima (BA)
Local: Caio Martins
Renda: R$ 20.310,00 ( 2.031 pagantes)
Cartão vermelho: Aílton


