Bom senso: sede da final da Libertadores
O local da final deveria, por exemplo, ser escolhido só quando a competição chegasse às semifinais e a sede seria sorteada entre as equipes
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 03 de novembro de 2025
O local da final deveria, por exemplo, ser escolhido só quando a competição chegasse às semifinais e a sede seria sorteada entre as equipes
Júlio Oliveira 

A Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) precisa repensar o critério de escolha da sede da final da Libertadores. O Brasil tem dominado a competição nos últimos anos, sempre tendo times nas finais e não pode ficar sem um olhar mais especial da entidade. Naturalmente, a bagunça que tem sido a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) no passado recente tirou a força que a entidade poderia exercer em reivindicações.
ÚLTIMAS NOTÍCIAS| Acompanhe as notícias de Londrina e região no canal da Folha de Londrina no WhatsApp
O modelo adotado da Liga dos Campeões, principal competição no continente europeu, não é comparativo nos outros aspectos funcionais. Há um hábito natural dos torcedores europeus acompanharem seus times já durante o torneio pelos diferentes países, já que as distâncias são mais próximas e, na maioria das vezes, feitas de trem. Logo, uma final no continente, mesmo que seja num país sem representante, já está na cultura do torcedor.
Leia mais:
Na América do Sul não há isso. Só parte de torcida organizada acompanha seus times, e em número reduzido. Uma final precisa respeitar mais os torcedores dos times envolvidos, e se o Brasil tem dominado a competição, tem que ter uma prerrogativa maior em sediar a final. Sim, há outros negócios envolvidos, que levam a Conmebol “distribuir” as sedes a cada ano. E os times se calam pelas altas quantias recebidas.
Uma final brasileira tinha que ser disputada no Brasil. Se a CBF não tem forças para mudar o local da final, e não vai mudar mais, precisa ser imponente para mudar o sistema de escolha. O local da final deveria, por exemplo, ser escolhido só quando a competição chegasse às semifinais e a sede seria sorteada entre as equipes participantes. Seria mais lógico e justo. E não deixaria de ser um negócio para a entidade, que estaria promovendo o torneio da mesma forma.
ÚLTIMAS NOTÍCIAS| Acompanhe as notícias de Londrina e região no canal da Folha de Londrina no WhatsApp
E assim o futebol vai ficando cada vez mais elitizado. Um pacote para ir a Lima ver a final está começando em R$ 7 mil. Melhores condições de viagem e lugar no estádio tem valores equivalentes ao conforto e segurança. Onde tem negócio, não tem bom senso. Tem oportunidades.
Julio Oliveira é jornalista e locutor esportivo da TV Globo - A opinião do colunista não reflete, necessariamente, a da Folha de Londrina




