São Paulo - A Bolívia montou um amplo leque de aliados sul-americanos para evitar o fim dos jogos na altitude, o que virtualmente vai acontecer depois que a Fifa exigiu uma aclimatação de duas semanas para jogos em cidades acima de 3.000 metros, casos de Oruro, Potosí e La Paz. A cruzada boliviana não atraiu os clubes brasileiros.
A novela ganhou um novo capítulo quando Evo Morales, o presidente do país andino, disse que vai buscar reparações da Fifa em organismos internacionais. ''Não podemos ser excluídos. É uma humilhação'', disse o mandatário, que vai montar uma equipe jurídica para analisar o caso antes de ingressar com qualquer demanda contra a Fifa.
Durante a semana, a Bolívia ganhou aliados de países que seriam beneficiados por não terem que jogar mais em La Paz e outras cidades dos Andes. Primeiro, foi o Chile, que disse não se opor a jogar em La Paz pelas Eliminatórias, em junho. Em visita à Bolívia, o argentino Maradona classificou como ''ridículo'', o veto da Fifa à altitude. Ainda participou de um jogo em La Paz, onde marcou três gols.
Ontem, foi a vez de os paraguaios dizerem que podem jogar, sim, na altitude no classificatório para o Mundial de 2010. ''Nós vamos jogar onde nos digam'', afirmou Gerardo Martino, o técnico da seleção paraguaia.
Morales ainda tem o apóio de cartolas importantes, como Júlio Grondona, o presidente da federação argentina, e de praticamente todos os presidentes da região, incluindo Lula. Mas os clubes brasileiros, especialmente os que estão na Libertadores, não querem saber de ajudar a Bolívia. ''Jogar na altitude é injusto'', diz Kléber Leite, o vice-presidente do Flamengo. Ele diz acreditar que a Fifa, nos próximos dias, vai proibir também jogos pela Libertadores na altitude. Segundo o cartola, seu clube ainda não fez um planejamento para enfrentar o Cienciano, em Cusco, a mais de 3.000 metros acima do nível de mar, por acreditar nisso.

mockup