Pode parecer estranho, mas o boliche, modalidade que na maioria dos países é tida como hobby ou entretenimento, está incluído nos Jogos Pan-Americanos de 2007 no Rio de Janeiro. A confirmação foi feita em agosto pelo presidente da Organização Desportiva Pan-Americana (Odepa), o mexicano Mario Vazquez RaÀa, quando foram admitidas cinco novas modalidades no Pan do Rio, que pegaram carona no lobby a favor do futsal, que não é modalidade olímpica, mas vinha sendo reivindicado para os Jogos pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB), por ser o segundo esporte mais praticado no Brasil.
Com a abertura ao futsal, a Odepa aproveitou para atender aos pedidos de outros cinco esportes não-olímpicos: boliche, esqui aquático, squash, karatê (que volta ao Pan após algumas edições fora do programa) e patinação artística.
Destes cinco esportes, os dois mais praticados no Brasil são seguramente o karatê e o boliche. O primeiro pela tradição enquanto arte marcial, e o segundo devido à popularidade. Hoje não há cidade grande no País que não tenha um shopping com pistas de boliche. Aqui a modalidade não é tão popular quanto nos Estados Unidos, onde o boliche é diversão universal e também um esporte levado a sério por 3 milhões de atletas federados, que disputam torneios nacionais e internacionais.
No Brasil, os atletas federados são menos de mil, segundo o presidente da Confederação Brasileira de Boliche (CBBol), o sul-matogrossense Clair Smaniotto. Em entrevista por telefone à Folha, de Campo Grande, onde fica a sede da confederação, Smaniotto comemorou a inclusão da modalidade no Pan 2007. ''Será bom para divulgar mais o esporte e valorizar os nossos atletas. É mais que merecido, pois o boliche já foi modalidade de apresentação em Olimpíada (Seul-1988)''.
Embora reconheça que seja mais praticado em países frios, na Europa e Estados Unidos, ''por ser um esporte indoor'', o dirigente da CBBol afirma, ''com base em pesquisas norte-americanas'', que o boliche é o ''segundo esporte mais praticado no mundo''.
Smaniotto informou que o Brasil será representado no Pan por dois atletas no feminino e dois no masculino, e que a definição sairá do ranking de 2006. Dos homens, um paranaense tem grandes chances de ir aos Jogos. É Rodrigo Hermes, 23 anos, nascido em Foz do Iguaçu, mas que mora em Curitiba, onde defendia o Atlético Paranaense. ''Hoje é apenas o oitavo do ranking nacional porque não disputa todas as competições, afinal é federado pela Bahia e mora no Paraná. Então não pode viajar sempre. Mas tem nível para estar entre os dois primeiros'', garante Smaniotto.
Hermes está jogando pela Federação Baiana e outros cinco curitibanos pela Federação Gaúcha porque a entidade do Paraná está inativa há três anos, devido a conflitos internos. ''Mas o Paraná tem bons atletas. Há quatro anos o Estado foi campeão brasileiro de seleções'', lembra Smaniotto.
O próximo Brasileiro acontecerá em Belo Horizonte, de 8 a 11 de dezembro, e os favoritos são os estados de São Paulo e Minas Gerais e o Distrito Federal. Hoje a maioria dos atletas confederados estão nas capitais: São Paulo, Brasília, Belo Horizonte, Salvador, Campo Grande e Belém.
O boliche é ''primo'' do bolão, muito praticado no Sul do Brasil e tradicional nos países do Norte da Europa. A diferença básica é que o bolão tem uma pista mais estreita e nove pinos a serem derrubados (no boliche são dez). A entidade que reúne os dois é a mesma, a WBBA (World Bowling Ball Association).

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