Boleiros relembram histórias do futebol
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quinta-feira, 26 de maio de 2005
Jaime Kaster<br> Reportagem Local 
''Esse aí no time era o chamado varredor. Ele fazia um risco assim no chão e dizia: daqui ninguém passa'', contou, dando risada, o ex-zagueiro do Bonsucesso F.C., Oziris dos Santos, o Cambé, 73 anos, apontando para o antigo colega de zaga Jorge Rodrigues Belfort, o Jorjão, hoje com 79. Eles estavam entre os ex-jogadores que compareceram ontem ao 9º Encontro Anual dos Boleiros, que reuniu na sede da Associação Cristã de Moços (ACM), em Londrina, cerca de 200 ex-jogadores de futebol e futsal da cidade, de craques a pernas-de-pau.
''Eu jogava de centro-médio, o que chamam hoje de quarto-zagueiro e na minha época um defensor não precisava ter muita altura. Eu mesmo só tinha 1m78. O negócio era jogar com técnica'', recorda Jorjão. O Bonsucesso, clube pelo qual jogava, ficava na Vila Higienópolis (área central) e disputava na década de 50 o Campeonato Amador de Londrina. Antes de defender o Bonsucesso, Jorjão atuou pelo Palmeirinhas e pelo Grêmio Recreativo, ambos times da Vila Nova.
''Era uma época muito boa. Havia os clubes tradicionais, como Banguzinho (na Rua Bahia), 7 de Setembro (Vila Casoni) e União Paranaense (Vila Recreio), mas também os dos bairros, como Ipiranga (Vila Ipiranga) e Bonsucesso. Eram muitos os times amadores na cidade, porque naquela época não se jogava futebol suíço'', lembra Cambé.
Também estavam na ACM alguns dos introdutores do futebol suíço no Brasil (e no mundo, conforme garantem) o português Vasco Martins Almeida, que ainda joga no Iate Clube pela categoria supermaster (acima de 55 anos) e o advogado Miguel Ramos, um dos organizadores do encontro, juntamente com o jornalista Lélio César e o alfaiate Luiz Petrin.
O encontro trouxe visitantes de longe Curitiba, Santa Catarina e muitos do interior paulista. Alguns são ex-profissionais. O mais empolgado deles, Luiz Carlos Lopes, o ''Categoria'', 65, chegou a cortar o supercílio esquerdo numa dividida durante a pelada realizada pela manhã. ''Está sangrando muito?'', perguntou ele aos amigos. Como informaram que não, o ex-meia esquerda do LEC na década de 60 voltou para o gramado e disse orgulhoso: ''Esse sangue é sagrado. Vou levar isso como troféu de recordação dessa festa'', afirmou Categoria, campeão paranaense com o Tubarão em 1962.
Outro ex-profissional em campo era Antônio Paulo de Souza, 63, que defendeu entre 1966 e 74 times como São Paulo de Londrina, Jandaia, Cascavel e Clube Atlético de Cambé. Como na época ele não conseguia viver só da bola, passou a trabalhar também como alinhador e balanceador de automóveis, profissão que exerce até hoje.


