Munique - Afastar as bolas altas cruzadas sobre a área sempre foi um tomento para os zagueiros brasileiros. Especialmente em jogos da seleção. Menos mal que a grande maioria dos convocados por Parreira atua no futebol europeu. No velho continente, eles se acostumaram com esse tipo de jogo difundido pelos ingleses. Por isso, se dizem tranquilos para o confronto com os australianos, autênticos discípulos da tradicional escola de futebol britânica.
''Eles vão querer surpreender a gente com bolas altas, principalmente nas jogadas de bola parada. Nos cruzamentos, nem sempre o zagueiro tem 100% de acerto, então é preciso sempre ter algum companheiro por perto para ajudar. O negócio é a gente conversar muito para evitar os erros'', diz o zagueiro Juan, que terá pela frente a marcação do atacante Viduka, de 1m88, do Middlesbrough da Ingletarra. ''O Parreira pede sempre para a gente marcar o jogador e não olhar muito a bola porque ela não vai entrar no gol sozinha. A gente pode até não ganhar todas pelo alto, mas se atrapalhar a cabeçada, já é um ponto positivo''.
O capitão Cafu, mais experiente, confirmou que os jogadores não só ensaiaram a marcação para esse tipo de jogada, como conversaram muito a respeito do tema. E chamou a atenção para os cuidados a outro jogador. ''Eles ainda contam com o Bresciano (do Parma, da Itália) que também é bom jogador. Conversamos bastante e num dos treinos simulamos algumas situações que devemos enfrentar no jogo''.
O volante Émerson, que como Cafu atua no futebol italiano, diz que o fundamental é fazer o que pede o técnico Carlos Alberto Parreira: evitar os dribles e dar dois ou três toques na bola para envolver os australianos. ''É tocar a bola rápido para o companheiro, dando dois ou três toques, no máximo, para evitar o contato físico. Na técnica, nossos jogadores vão levar vantagem'', ensina.
Juan Com nome espanhol, ancestrais africanos e coração brasileiro, Juan ganhou uma visão universal do futebol desde que foi jogar na Alemanha há quatro anos. Entre o favoritismo e o alerta trazido pela estréia, este carioca de 27 anos segue pelo caminho do equilíbrio que descobriu na Europa.
Para ele, a seleção só se manteve no topo por tanto tempo graças à consciência profissional e coletiva que os jogadores ganharam fora do País. Juan discorda de que apenas o brasileiro é ''nascido para jogar futebol'' como está escrito na camisa amarela. Ao dom do drible e do improviso, o Brasil deve acrescentar as melhores qualidades do adversário. Do contrário, ele se torna mais forte.

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