Bolão extrapola os limites do tempo
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sábado, 27 de setembro de 2003
Claudio Yuge<br> Reportagem Local 
A frase ''acho que estou ficando velho'' é bem comum, principalmente quando os jovens vão se aproximando da fase adulta. Mas esse tipo de pensamento não parece transparecer em momento algum na equipe feminina de bolonistas da Associação Recreativa e Esportiva Londrinense (Arel). Mais conhecido como Clube Alemão, a entidade reúne a seleção londrinense da modalidade. E o que mais chama atenção é a média de idade da categoria adulto, que há dez anos domina as competições estaduais: as atletas têm em média 64 anos.
Mas para as jovens senhoras que fazem parte da equipe, as marcas e rugas que o tempo trouxe revelam não só experiência como também orgulho por continuar praticando, e bem, um esporte que precisa de muita dedicação, determinação e força de vontade. ''Como a bola é pesada e já não somos jovens, fazemos academia, e sempre alongamos e aquecemos bastante antes dos treinos e competições'', afirmou Maria Lucia da Silva, a dona Nissinha, que tem 64 anos e é bolonista já há 43 anos.
No bolão é comum a presença da terceira idade. Segundo os praticantes, isso deve-se ao fato da modalidade ser passada de pai para filho. A maioria das atletas da seleção londrinense começou a jogar justamente pela tradição. ''Sempre foi passado de pai e mãe para os filhos e no começo era mais fechado, só para a comunidade alemã. Mas depois outras pessoas começaram a jogar'', disse Nissinha. Uma das 'caçulas' do time, Márcia Sartori, 41, disse que também conheceu o esporte através da mãe. ''Minha mãe jogava bolão quando eu tinha cinco anos e comecei a praticar aos dez anos.''
E o esporte não só alimenta a paixão dessas jovens senhoras como também se transformou numa comunidade de amigas. Na terceira idade, a maioria delas já está aposentada e, ao invés da ociosidade, elas buscam o entretenimento diário no clube de bolão. ''Aqui fazemos trabalhos manuais, comida, jogamos baralho, agendamos viagens para praia, damos dicas umas para as outras. É também nossa diversão'', comentou Nissinha. Ela também disse que há dez ou 20 anos os bailes de bolão eram bastante comuns. ''A gente elegia o 'reinado' do bolão, com rei, rainha, príncipe, princesa e tudo mais. Teve até gente que se casou depois de se conhecer aqui'', garantiu.
E a união e a experiência desse grupo também contam bastante quando a missão é ajudar a reunir recursos para a manutenção do time. Atualmente a Fundação de Esportes de Londrina repassa R$ 10 mil durante o ano para a seleção feminina de bolão mas os custos com viagens e anuidade da federação acabam consumindo todo o orçamento mensal. ''Mas a gente se vira aqui, faz barracas com comidas, jantares, vendemos pizza'', explicou Nissinha que também não esqueceu de destacar a paixão de todas pela modalidade. ''A gente jogava aqui toda semana até duas ou três horas da manhã. Chegamos até a trazer colchões para nossos filhos dormirem.''


