Duisburg - Não é apenas da boca para fora que a seleção italiana diz estar deixando para trás sua devoção ao catenaccio, o clássico sistema de jogo que enfatiza a retranca e praticamente só vai ao ataque obrigado. As estatísticas da Copa do Mundo de 2006 comprovam que a Azzurra chega à sexta final credenciada por um desempenho tão bom em termos defensivos quanto ofensivos, ainda que com os tropeços tão habituais que marcam as campanhas mais recentes em Mundiais.
O número de gols marcados, por exemplo, já mostra uma diferença gritante em relação à última final. No Mundial da Alemanha, a Itália já marcou 11 vezes em seis partidas, número maior que o do Brasil (10) e apenas alcançado pelos donos da casa e a Argentina. Em 1994, foram oito nos sete jogos disputados. Em 2006, só a Alemanha chutou tantas vezes na direção a gol quanto os italianos (45 vezes). E o fato que a Azzurra foi a equipe que mais impedimentos registrou até agora (30, contra 27 da França) demonstra, no mínimo, um ímpeto mais ofensivo.
''A mídia vive falando em catenaccio, mas o fato é que o futebol italiano há algum tempo já tem buscado um estilo de jogo mais ofensivo. Certamente não é por acaso que a Liga Italiana, nos últimos três anos, registrou um número de gols por partida superior ao dos campeonatos inglês e espanhol'', diz o jornalista James Richardson, um dos principais especialistas em futebol italiano da imprensa européia.
E o desempenho da seleção sugere ainda uma participação maior na tarefa de por a bola na rede. Os 11 gols italianos foram marcados por 10 diferentes jogadores, distribuição que não se vê desde 1982. Nem por isso a Itália está se descuidando da defesa: no Mundial da Alemanha, o time levou apenas um gol em seis partidas, ainda assim marcado contra pelo lateral Zaccardo, pela segunda rodada da primeira fase, contra os Estados Unidos. E três dos quatro atletas indicados ao prêmio de melhor jogador da Copa são de defesa o goleiro Buffon, o lateral Zambrotta e o zagueiro Cannavaro. O outro é o volante Pirlo.
Outro endosso das estatísticas vem na parte disciplinar. Embora tenha sido punida com as expulsões de Materazzi e De Rossi, a Itália foi o time que até agora mais apanhou nessa Copa, sofrendo 128 faltas. Cometeu 89, número que a deixa apenas em nono lugar no ranking dos mais faltosos de 2006. Levou 10 cartões amarelos, número duas vezes menor que o de Portugal, o time até agora mais indisciplinado do torneio.
O volante De Rossi, que pegou quatro jogos de suspensão por um cotovelada em McBride, dos Estados Unidos, estará à disposição do técnico Marcello Lippi, amanhã, na final contra a França.

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