Boicote não anima técnico e atletas
São Paulo, 04 (AE) - Os jogadores do São Paulo terão de usar bons argumentos para convencer os colegas de Corinthians, Palmeiras, Santos e Portuguesa a apoiar uma greve até que o Tricolor recupere os pontos perdidos no Tribunal de Justiça Desportiva (TJD). O volante Jorginho conversou hoje com Cléber (Palmeiras) e Simão (Portuguesa), que iriam consultar os colegas para buscar mais apoio. O lateral Anderson vai falar com os ex-companheiros do Santos. Marcelinho Carioca (Corinthians) também será consultado.
A tendência é que, no que depender de técnicos e jogadores dos demais clubes paulistas, a greve geral que os atletas do São Paulo pretendem articular com seus colegas de profissão paralisando o Campeonato Brasileiro vai ficar só na intenção. Muitos acham que não têm a ver com a perda dos pontos do São Paulo nos tribunais.
Os integrantes das equipes adversárias admitem se solidarizar para evitar que o jogador Sandro Hiroshi seja banido do futebol por ter adulterado seu documento de identidade. Mas, se for para parar o campeonato por causa da derrota do São Paulo no TJD, que tirou os pontos da vitória sobre o Botafogo-RJ e deu ao adversário, eles não vão entrar.
"Não podemos paralizar o campeonato por causa de um gato", afirma Oswaldo de Oliveira, técnico do Corinthians. "Não se pode fechar um hospital por causa de um falecimento." O treinador avalia que sua equipe, líder do campeonato, seria a maior prejudicada com uma eventual paralisação. "Se os jogadores estão se mobilizando, eles deveriam aproveitar o momento e discutir outros assuntos como o calendário desorganizado, a situação dos gramados e demais problemas."
Carlos Alberto Silva, treinador do Guarani, também não vê razão para seu clube apoiar o Tricolor. "O Guarani não tem nada a ver com o problema do São Paulo", opina. O time de Campinas disputa diretamente com o São Paulo uma vaga na próxima fase da competição.
No Palmeiras, tanto o técnico Luiz Felipe Scolari quanto os jogadores esperam primeiro uma posição da diretoria do clube antes de expressar uma opinião sobre a possibilidade dos clubes paulistas pararem o campeonato.





