Quando se fala em bocha, logo nos vem na memória uma quadra de areia e as bolas pesadas jogadas por pessoas de idade. Anos atrás, principalmente em cidades pequenas, a maioria das igrejas tinha uma quadra em seu salão paroquial. Os descendentes de italianos eram os principais jogadores e as partidas aconteciam geralmente nos finais de semana. Nas grandes cidades os clubes sociais tinham suas canchas e, também, ''os velhinhos'' predominavam na competição.
Mas os tempos mudaram. A bocha tradicional, também conhecida como bochão (disputada em uma cancha de areia), ainda continua. Mas a bocha sul-americana, com forte predominância no Sul do País, cresce a olhos vistos, ainda mais que as canchas são modernas, com piso sintético, bolas coloridas e placar eletrônico. Os atletas antigos agora contam com a companhia dos jovens e as mulheres marcam forte presença nas disputas.
Em Londrina, não poderia ser diferente. A cidade acaba de ganhar uma Cancha Municipal de Bocha Sul-Americana, com duas pistas de jogo, na Zona Norte, ao lado do Kartódromo Luigi Borghesi. Ela é a segunda deste tipo no município - a primeira foi construída no Grêmio Londrinense (ver box) - e já começa a despertar a atenção das pessoas que vão para conhecer a modalidade e acabam aprendendo a jogar.
A construção da cancha municipal se deu pela luta de dois bochófilos (denominação para o jogador de bocha): José Pedro da Fonseca, 69 anos, e Maria Giselda de Lima. ''Essa luta vem desde 2005. Tínhamos uma equipe masculina que disputava os Jogos Abertos do Paraná, mas não um local adequado para treinar. A gente viajava até Maringá ou Campo Mourão para realizarmos nossos treinos. Aqui em Londrina chegamos a utilizar a quadra de vôlei do Colégio Ubedulha'', diz José Pedro, ressaltando que a modalidade é muito difundida no Sudoeste do Estado, ''com várias cidades chegando a ter de quatro a seis canchas para a população''.
Com a reivindicação para se construir uma cancha de bocha sul-americana, em 2005, a Prefeitura de Londrina pediu em contrapartida a criação de uma associação e de uma equipe feminina. Foi aí que surgiu a Associação dos Amigos da Bocha-Sul-Americana, que tem hoje como presidente Rosiclé Moreira Fonseca, 55. Já a equipe feminina também foi montada e de lá para cá vem conquistando bons resultados nas competições em que tem participado.
Com a criação da Associação foi escolhido o local para a construção da cancha que, depois de cinco anos de luta, está pronta. A verba veio através da Caixa Econômica Federal e o restante, cerca de R$ 80 mil, da Prefeitura de Londrina. O local onde está abrigada a cancha possui duas pistas de jogo com medidas oficiais - 24 metros de comprimento por 4 de largura -, piso sintético acarpetado, três banheiros (um deles adequado para pessoas com deficiência), uma cantina e estacionamento. ''A luta foi muito grande e graças ao José Pedro e a Maria Giselda, a cidade tem um hoje uma cancha comunitária'', conta Rosiclé Fonseca. A inauguração do local foi no dia 16 de março deste ano.

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