Bocha, um esporte que atrai e tem fortes defensores
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sábado, 01 de novembro de 2003
Claudio Yuge<br> Reportagem Local 
Um jogo com apenas algumas pedras no chão batido de areia. A exemplo dos pequeninos, que começam a praticar futebol com uma bola velha de couro em campinhos surrados da periferia, Jorge Belfort iniciou seus primeiros arremessos de bocha ainda bem menino.
''Comecei não tinha nem dez anos, ainda usava bocha de madeira. Eu trabalhava no sítio e juntava pedras para jogar, já que eu vivia na 'dureza' naquela época'', disse o bocheiro de 78 anos, que atualmente cuida do setor de bocha do Canadá Country Club.
Belfort afirmou que começou a jogar justamente na época em que o esporte se difundia pelo Norte do Paraná. Chamado de bocha regional ou convencional, esse tipo teve uma penetração diferente da variação sul-americana no Estado, porém, com a mesma origem: a colonização italiana.
''Quem pratica mais a bocha sul-americana é o pessoal do sul (tanto do Paraná quanto do Brasil). Eu acredito que a bocha convencional veio de São Paulo'', disse Halevy Colli, de 78 anos, que começou a jogar quando ainda tinha 14 anos.
Belfort diz que a bocha sul-americana só chegou na região de Londrina em 1985, quando a bocha convencional já era bastante praticada por aqui. ''Nós chegamos a começar a jogar com o pessoal do sul e também participamos de campeonatos mas tínhamos vergonha porque a gente jogava mal. As regras e o peso das bochas eram diferentes'', explicou.
Em seguida, o grupo de bocheiros de Londrina conseguiu bons resultados no Paranaense em Campo Mourão, em 1987, inclusive com o próprio Belfort sendo considerado o melhor batedor da competição. ''Mas depois, sempre que a gente começava a jogar bem os sulistas mudavam as regras'', acusou o bocheiro. De acordo com ele, os jogadores de bocha sul-americana mais conservadores mudavam muito as características da modalidade para manter a tradição - afinal de contas não seria adequado um atleta da bocha convencional dominar as disputas da sul-americana.
Diferente da bocha convencional, a sul-americana tem competições nos Jogos Abertos do Paraná e em outros torneios regionais e nacionais. Isso acontece porque suas regras são mais conhecidas no continente - por isso é chamada de bocha sul-americana. Porém, de acordo com Belfort, são essas regras que justamente tornam o jogo menos atrativo. ''A bocha sul-americana é um jogo chato, cheio de regras e que tem que ser jogado em cancha de madeira. A convencional é mais divertida.''
Os jogadores de bocha costumam ser, geralmente, pessoas mais velhas, da terceira idade. Os atletas não sabem explicar exatamente a razão disso, mas apostam que os jovens de hoje acabam encontrando outras formas de entretenimento. ''A meninada de hoje não joga porque tem baile pra cá, baile pra lá. Assim eles nem praticam esportes'', disse Colli.
Em Londrina, de acordo com Colli e Belfort, os clubes que mais mantém tradição na bocha convencional são a Associação Recreativa e Esportiva Londrinense (Arel), o Clube dos Viajantes e o Canadá Country Club. ''Pelo Canadá eu fui 11 vezes campeão intersociedades de bocha convencional e nove vez de malha em duplas'', destacou Belfort.
Ambos os bocheiros, mesmo aos 78 anos, são bastante saudáveis e atribuem a boa qualidade de vida ao esporte. ''Com a bocha a gente faz exercício com os braços, abaixa, levanta, arremessa. Meu médico disse que eu não devo parar de jogar bocha por causa das atividades físicas'', disse Colli. E emendou: ''Agora vocês vão dar licença que nós vamos jogar mais uma partidinha antes de ir embora.''


