Curitiba – Se você está acostumado a ver em praças e áreas esportivas um grupo de idosos em uma cancha, divertindo-se jogando bolas de cimento para deixá-las mais perto de uma bolinha menor, saiba que isto está para a bocha como a pelada está para o futebol profissional. Além da parte lúdica, de apenas diversão, a bocha é um esporte levado a sério, que tem competições nacionais e internacionais.
Ninguém sabe ao certo quando surgiu a bocha no mundo, mas tornou-se um dos esportes mais populares na prática amadora. Hoje, a imagem está associada a um esporte para idosos, mas isso vem sendo mudado e nas competições para valer é difícil ver equipes com média de idade acima dos 30 anos.
‘‘A bocha não é um esporte de velhos, é um esporte de todos’’, ensina o presidente da Federação Paranaense de Bocha, Luiz Carlos Stédile de Freitas. A Federação está sediada há sete anos na região Sudoeste do Estado, em Coronel Vivida (30 km ao norte de Pato Branco). ‘‘Hoje tem atleta de 14 anos jogando para se divertir e também nas competições’’, explica Freitas. ‘‘Tudo é uma questão de dom, jogar como amador, para se divertir, qualquer um joga, mas em competições é diferente’’.
As diferenças entre o jogo lúdico e o competitivo começam já pela cancha. Enquanto na diversão a maioria das canchas é de areia ou terra batida, para competições ela é de material sintético, por vezes, emborrachada. As regras, apesar de simples, também mudam e exigem comportamento que lembram o tênis.
Alguns jogadores ficam mais exigentes depois que alcançam um nível superior. É o caso de Luiz João Marcelino, que ficou quase seis anos sem jogar, quando mudou do Rio Grande do Sul para Curitiba. ‘‘Aqui não tinham canchas adequadas, eram todas de areia ou terra. Agora, que me tornei diretor da federação, é que começamos a ter canchas sintéticas, mas depois de tanto tempo parado, meu jogo já não é o mesmo’’, queixa-se ele, que está com 60 anos e pratica o esporte há 47, tendo se iniciado no interior de Santa Catarina.
Mas são poucos os que chegam a este estágio e a conta é, mais ou menos, 100 amadores (ou jogadores de final de semana) para cada atleta mais dedicado e que participa de competições. A Federação Paranaense de Bocha tem hoje 2.790 atletas dos dois sexos filiados. O jogo é igual para homens e mulheres, sem distinção.

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