Boca Juniors é campeão em Tóquio
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quarta-feira, 29 de novembro de 2000
Lance/Sport Press Agência Folha 
O Boca Juniors, da Argentina, venceu o Real Madrid, da Espanha, por 2 a 1, na manhã de ontem e conquistou o Mundial Interclubes, no Japão. Com a vitória, os sul-americanos quebraram uma série de cinco títulos consecutivos dos europeus.
O Boca começou arrasador. Com menos de cinco minutos já havia feito 2 a 0, as duas vezes com Palermo. Na primeira delas, o centroavante completou um cruzamento da esquerda feito por Delgado, aos dois minutos. Na outra ele recebeu lançamento de Riquelme e, mesmo marcado, bateu na saída do goleiro.
Os argentinos ainda comemoravam a vantagem quando uma falha de Ibarra resultou no primeiro gol dos espanhóis. Figo avançou pela direita e cruzou. O zagueiro cortou de cabeça, fraco. O brasileiro Roberto Carlos dominou no peito e chutou no ângulo direito do goleiro Cordoba. Raul teve a chance do empate três minutos depois. Com um giro de corpo ele tirou o zagueiro Hierro e bateu por cobertura. A bola passou perto.
Boca e Real acalmaram-se no jogo e as ações de ataque passaram a ser neutralizadas pelas defesas. E foi assim até o fim do primeiro tempo, com o Boca ainda tendo uma chance nos pés de Delgado, que invadiu a área e chutou na saída do goleiro aos 25 minutos. Casillas defendeu.
No segundo tempo, o Boca ameaçou logo aos dois minutos: Riquelme cobrou uma falta no ângulo direito de Cassilas, que conseguiu espalmar para escanteio. Um minuto depois, foi a vez do Real ameaçar com um chute cruzado de Guti, mas a bola foi para fora.
Em desvantagem, o time espanhol procurava mais o ataque e perdeu uma boa chance de empatar, aos 11 minutos: Figo cobrou escanteio pela direita e Raul, livre na pequena área, cabeçeou para fora. Aos 20, o atacante do Real marcou, mas o juiz marcou impedimento.
Vicente del Bosque, então, partiu para o tudo ou nada, tirando os meias MacManaman e Makelele e colocando os atacantes Sávio e Morientes, para tentar furar o forte bloqueio do Boca, que cozinhava o jogo.
As substituições, no entanto, não melhoraram o ataque do Real, já que o Boca passou a controlar as ações no meio campo. Sem conseguir criar jogadas de perigo, o time espanhol quase toma outro gol, aos 41, numa jogada individual de Riquelme.
Depois disso, o técnico Carlos Bianchi fez duas substituições para gastar o tempo e garantir o segundo título mundial do Boca.
Choro Em meio a uma crise econômica e política, o presidente argentino Fernando de la Rua reservou a manhã de ontem só para o futebol. Torcedor do Boca Juniors, o político chegou a chorar ao conversar por telefone com o atacante Martín Palermo, após o jogo.
Palermo está muito emocionado, como eu. Eu o admiro porque passou por momentos difíceis devido a uma lesão, disse. E completou: A vitória do Boca é uma alegria para todos os argentinos.
À mesma conclusão chegou o ex-jogador argentino Diego Maradona. O Boca devolveu o sorriso ao rosto dos argentinos, afirmou. O país vive uma recessão econômica com alto desemprego entre sua população e descrença dos investidores estrangeiros.
O Boca tem o slogan de o time representar metade mais um da população na verdade, segundo dados estatísticos, seriam 10 milhões de torcedores entre os 37 milhões de argentinos.
De La Rua prometeu ainda receber o time na Casa Rosada, sede do governo.


