Boa fase não diminui irritação de Dunga
Bloemfontein - Dunga está zangado. E não é de hoje. Nem mesmo a transbordante alegria da população de Bloemfontein com a seleção brasileira consegue amolecer o seu coração. Ontem, véspera da estreia do Brasil na Copa das Confederações, o treinador distribuiu as costumeiras ''patadas'' durante a entrevista coletiva dirigida pela Fifa no Free State Stadium.
Tendo Júlio César à direita e Kaká à esquerda na mesa da sala de conferências, Dunga parecia o centro do universo. A cada pergunta da imprensa brasileira e internacional, ele respondia com um gancho no queixo. ''Ninguém gosta de perder, eles vão jogar para vencer. Quando a gente ganha, é assim: antes do jogo o adversário é bom. Depois, é fraco. Quando ganhamos, eles são ruins. A gente nunca é bom'', respondeu o técnico, entre um sorriso irônico mal disfarçado, sobre a dificuldade que a seleção tem quando enfrenta os africanos.
Um repórter pediu ao técnico que revelasse os nomes dos que dizem ''a gente nunca é bom''. A resposta dele foi curta e grossa: ''É só você ler o que escrevem da gente''. Um pouco antes, um outro jornalista tentou aliviar. Quis saber se o treinador estava calando os críticos que duvidavam da sua permanência no cargo. ''Eu não me preocupo em calar críticos. Cheguei na seleção para ficar dois meses, como diziam, e já estou há três anos. Melhor errar tentando do que ficar em cima do muro. Tenho que estar junto com os jogadores'', disse Dunga.
Outro repórter procurou outro caminho. Indagou sobre os treinamentos e as poucas pistas que o técnico dá sobre a escalação do time. ''Eu que não estudei, consulto o Paixão (Paulo Paixão, preparador físico da seleção), professor de educação física, consulto os médicos, para treinar os jogadores. Mas tem gente que começou a jogar bola depois dos 50 anos acha que sabe de tudo'', afirmou Dunga, mostrando que, apesar da boa fase da seleção, continua bastante zangado. (L.A.P/A.E.)





